Queijeiro é condenado por triplo homicídio
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quinta-feira, 04 de junho de 2009
Diego Ribeiro<br> Equipe da Folha 
O queijeiro Eleandro Guerega, 25 anos, foi condenado a 47 anos e oito meses de reclusão, por matar três pessoas, em Palmital (146 km a oeste de Guarapuava), por uma dívida de R$ 150, em 2005. O caso ficou conhecido após ser divulgado em um programa de TV, em rede nacional. O julgamento ocorreu na quarta-feira, durou 12 horas e teve mais de mil espectadores, que lotaram o salão paroquial da Igreja Matriz, no município.
O crime chocou a cidade na época. Guerega foi condenado culpado pelos assassinatos do bicicleteiro Ademonzir Antunes das Neves, a mulher dele, Juçara Antunes das Neves, e o filho do casal, Lucas Rafael, de 10 anos. O condenado teria atirado várias vezes contra a família, que estava dentro de um carro, em uma estrada da região. Após matá-los a tiros, ele ainda ateou fogo no veículo.
O crime foi motivado porque Ademonzir estava cobrando insistentemente R$ 150 pelo conserto da bicicleta de Guerega. Os homicídios foram qualificados pelo "motivo torpe" e pela "dificuldade de defesa das vítimas".
Guerega foi preso preventivamente pelo crime, em 2005. No ano seguinte, fugiu e ficou foragido durante cerca de um ano e meio, quando foi novamente detido. O promotor que retomou o caso após a nova prisão foi Luiz Eduardo Freyesleben Silva.
"Ele tinha sido a única pessoa a estar com a família no dia do crime. Não havia testemunha ocular e ele confessou durante a fase policial da investigação", afirma o promotor. Além do réu, foram ouvidas duas testemunhas no julgamento.
O advogado de defesa de Eleandro, Miguel Nicolau Junior, informou que o condenado nega a autoria. "Ele deu quatro depoimentos durante todo processo. Em dois, ele confessa e nos outros nega a autoria", conta. De acordo com Nicolau, não há provas suficientes para que Eleandro seja condenado.
A própria arma do crime, encontrada pela polícia durante a investigação, teria sido extraviada durante o processo, conforme o defensor. Outro argumento de Nicolau é que não haveria como provar que os projéteis encontrados no carro das vítimas são da arma apreendida, já que não teria sido realizado exame de balística.
Depois de ouvir os argumentos da acusação e da defesa, o júri popular considerou, por maioria, Guerega culpado. O advogado de defesa já fez a apelação que, agora, será avaliada por uma câmara criminal no Tribunal de Justiça do Paraná. A juíza Tathiana Yumi Arai Junkes presidiu o julgamento.
Guerega está detido na carceragem da Delegacia de Laranjeiras do Sul (109 km a oeste de Guarapuava). A defesa deve pedir a transferência dele para Guarapuava.


