As árvores que embelezam e garantem sombra às ruas de Londrina, após o intenso período de chuvas do último mês, continuam dando dor de cabeça para moradores, motoristas e mesmo para a administração municipal, que já recebeu 30 pedidos de ressarcimento por danos resultantes de queda de galhos e troncos em 2002.
A professora de educação física Melissa Grispan e Silva, 25 anos, que o diga. O dia-a-dia está difícil desde o último dia 13, quando seu carro, um Uno cinza, foi atingido defronte ao número 168 da Rua São Francisco de Assis, no Centro. Um flamboyant com 10 metros de altura caiu inteiro. A copa da árvore danificou o capô, o parabrisa e os faróis do veículo.
Ela diz que perdeu alguns dos estágios remunerados que havia conseguido, já que, a pé ou de ônibus, tem sua mobilidade comprometida. Para minimizar seus prejuízos financeiros e materiais, entrou com um dos 30 pedidos de indenização por danos protocolados na Secretaria do Meio Ambiente de Londrina (Sema) em 2002.
Dos orçamentos feitos pela professora, o mais barato saiu por R$ 1.888,95. Como o Uno não tinha seguro, o dinheiro pesou. E como já havia sido protocolado um pedido para a retirada do flamboyant no dia 9 de setembro, pouco mais de um mês antes de sua queda, a indignação aumentou. ''Os técnicos da Sema vieram aqui, e constataram que não havia perigo da árvore cair'', lembra Melissa. ''Nada mais justo do que eu receber uma indenização.''
Entre os pedidos protocolados nesse ano, 16 foram deferidos, outros cinco foram indeferidos, e nove permanecem em análise. Uma comissão de apuração de danos que envolvem arborização reúne-se a cada dez dias para analisar os pedidos protocolados. Luiz Campanhã Filho, gerente de fiscalização da Sema, diz que os moradores que querem a retirada de árvores, ou a poda de copas, devem se dirigir à sede da secretaria, no Parque Artur Thomas, e protocolar seu pedido.
Um técnico do órgão vai ao local analisar o problema, e relata se o caso é realmente de erradicação ou corte. Se a árvore estiver condenada, existe um período de 60 dias de prazo para que o serviço seja realizado pela prefeitura. Caso isso não seja feito, e ocorra algum dano de propriedade, o proprietário tem direito à indenização. ''Existem casos e casos, por isso é difícil de estabelecer critérios para o pagamento de indenizações'', admite Campanhã.
Ele cita o temporal ocorrido no final da tarde do último dia 17, que resultou em 40 reclamações de árvores caídas, e 30 de quedas parciais em toda a cidade. No dia, quatro equipes da Sema trabalharam até às 22 horas no recolhimento de plantas e galhos. O vendaval registrado na data bateu 88 quilômetros por hora, o que, segundo Campanhã, caracteriza uma tempestade. ''Foi uma situação atípica'', argumenta. ''Com ventos tão fortes, mesmo a vegetação não condenada acaba sendo comprometida''.
Curitiba Pelo menos 50 famílias do bairro Shangrilá, em Ponta Grossa, tiveram suas casas destelhadas por um vendaval, que atingiu a cidade na noite de sexta-feira. O Corpo de Bombeiros distribuiu lonas e ajudou os moradores a improvisarem coberturas. Segundo os bombeiros, não houve feridos. Ontem, as famílias tentavam recuperar os estragos. Em outras regiões da cidade, os prejuízos com o forte vento foram isolados.

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