Recentemente, o presidente da Associação Comercial e Industrial de Guaíra (Aciag), Jair Schllermer, passou por uma situação delicada nas mãos de bandidos. Ele foi rendido em uma estrada da região de Guaíra e teve seu veículo Zafira roubado. As câmeras de segurança que ficam na cabeceira da Ponte Ayrton Senna, que passa sobre o Lago de Itaipu e leva, por terra, ao Paraguai, registraram a passagem do carro de Schllermer algumas horas depois do assalto.
  Poucos dias depois, ele recebeu a informação de que o veículo estaria circulando por Paloma, cidade paraguaia que fica próxima a Salto del Guairá. ‘‘Os relatos que recebi indicam que meu carro foi comprado por um brasileiro, por R$ 5 mil. Os próprios assaltantes me disseram que não venderiam o carro por valor muito maior do que R$ 3,5 mil no país vizinho’’, relata o presidente da Aciag.
  Em Salto del Guairá, diversos carros de fabricação brasileira circulam com placa paraguaia. O prefeito, Carlos Haitter, admite que o problema existe. ‘‘Eu, como prefeito, não posso negar que há veículos roubados no Brasil circulando por aqui’’,
lamenta.
  De acordo com o comandante do posto da Polícia Rodoviária Estadual em Guaíra, sargento Valdemar Alves de Lima, o crime de furtos e roubos de veículos na região já foi mais intenso. ‘‘Não temos estatísticas, mas percebemos que, com a recente intensificação da fiscalização aduaneira em Foz do Iguaçu, aumentou o crime de contrabando por aqui e, paralelamente, houve uma diminuição nos roubos e furtos
de automóveis. Isso acontece
porque os criminosos preferem
‘trabalhar’ para os contra-bandistas’’, relatou Lima.
  Ainda segundo o sargento, a polícia encontra dificuldades para a fiscalização rodoviária por conta do grande número de estradas vicinais da região. ‘‘Pelo menos uma vez por semana recebemos o comunicado de algum roubo de veículo nas cidades que estão aqui por perto. Então, agimos rápido, fazendo rondas pelas várias estradas secundárias para evitar que o carro chegue ao Paraguai’’.
  Ele também relatou que existe um outro crime muito recorrente na região de fronteira relacionado aos automóveis: o golpe do seguro. ‘‘O próprio dono do veículo, ou alguém pago por ele, leva o carro ao Paraguai, vende por lá e depois registra queixa de furto. Estamos registrando a passagem dos carros pelos nossos postos para tentar evitar esse crime’’, finalizou o sargento. (W.S.)

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