A Copel caracterizou ontem como ato criminoso a queda de duas torres da linha de transmissão que está sendo implantada para compor a rede de energia que será gerada pela Hidrelétrica de Salto Caxias, em obras no Rio Iguaçu. Cabos de sustentação da rede foram cortados, provocando a queda das torres, no município de Sulina, a 81 km de Pato Branco e a 160 km da usina, localizada entre os municípios de Capitão Leônidas Marques e Nova Prata do Iguaçu. Os indicativos são de que a sabotagem foi feita por quem conhece estruturas de rede de transmissão.
A rede está sendo implantada pela empreiteira Camargo Corrêa. Ainda não haviam sido instalados os fios de transmissão de energia. Os cabos de sustentação das torres, fixados no chão, foram cortados em dois pontos. A sustentação é feita por quatro cabos, e em cada ponto o sabotador (ou sabotadores) cortou apenas um, o que indica experiência em projetos de implantação de redes, segundo relatou à Folha uma fonte da Copel. Se os quatro cabos tivessem sido cortados no mesmo ponto e ao mesmo tempo, ‘‘a torre poderia atingir o próprio sabotador, na queda’’, explicou.
As torres têm 35 metros de altura e pesam 8 toneladas. Todo o material foi submetido a perícia, e não há ainda informação sobre a possibilidade de reaproveitamento das torres, cujas bases entortaram completamente. Em nota no final da tarde de ontem, a Copel classificou o episódio como ato criminoso e sabotagem, a primeira em suas estruturas de transmissão. Não há indicativos sobre o resultado prático pretendido pelo sabotador, pois a princípio não há comprometimento do cronograma de transmissão de Salto Caxias.
A Copel está completando o enchimento do reservatório e a montagem dos equipamentos. A hidrelétrica começará a gerar energia a partir de dezembro, com a primeira de suas quatro turbinas (com capacidade total de 1.240 megawatts). A cada três meses, outra será acionada. O reservatório começou a ser formado no início de outubro e terá 132 quilômetros quadrados e 90 quilômetros de extensão, ao longo de nove municípios. Salto Caxias, que teve obras iniciadas em janeiro de 95, e custará R$ 1 bilhão, é o último aproveitamento energético previsto para o Rio Iguaçu.

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