Nem tudo o que vem do céu é divino, bom ou positivo. Na última segunda-feira, o comerciante Pedro Bonato, 62 anos, e sua mulher, Calderon Bonato, também de 62 anos, caminhavam tranquilamente pela Rua Piauí, quando, em frente ao Edifício Bosque, ele recebeu um ‘‘presente’’ que veio do céu: um cinzeiro.
‘‘Senti uma dor terrível na cabeça, passei a mão e vi grande quantidade de sangue. Pensei no pior e quase perdi os sentidos’’, conta Bonato, relatando que foi segurado pela mulher e atendido pela médica Rosa Freitas, que passava naquele instante. ‘‘A médica foi muito atenciosa, providenciando gelo, na Lanchonete Vila Rica, e fazendo os primeiros socorros.’
Arquivo Folha‘‘Tive a sorte de o objeto bater no galho de uma árvore antes de atingir minha cabeça. Não fosse o galho, certamente o ferimento seria muito mais grave. Talvez até tivesse me matado’’, conta Bonato, explicando que apesar da dor, e do susto, foi levado a um pronto-socorro e sofreu apenas três pontos na cabeça. ‘‘Só não foi pior porque sou muito cabeça dura’’, brinca. Ele destaca que se o cinzeiro atingisse a cabeça de uma criança, certamente o caso seria muito mais grave.
Apesar dos três pontos na cabeça e o grande susto, Pedro Bonato não formulou queixa na polícia nem pensa em acionar o condomínio do Edifício Bosque, de onde caiu o cinzeiro. ‘‘Não dá para identificar de onde caiu o objeto’’, justifica. Ele fez um apelo para que as pessoas que vivem ou trabalham em edifícios tomem cuidados para evitar esse tipo de acidente.
Perigos que vêm do céu provocam também danos materiais. O dentista e ex-vereador e ex-secretário Municipal de Administração Wilson Battini teve calhas de sua casa entupidas por causa do ‘‘lixo’’ jogado de um prédio vizinho. ‘‘O lançamento de ‘‘coisas’’ de edifícios é tão grande que quando era vereador propus uma emenda ao Código de Posturas para facilitar a ação das vítimas e definir sanções aos infratores.’
Battini explica que a multa definida pelo Código de Posturas é cumulativa e sempre que houver um caso a vítima deve denunciar na Prefeitura, na Polícia e, se houver perdas e danos, também na Justiça. ‘‘Multas e indenizações são a melhor forma de fazer com que as pessoas tenham mais cuidados’’, recomenda, explicando que chegou a acionar o condomínio do prédio ao lado de sua casa. ‘‘O problema foi resolvido e hoje vivemos em harmonia.’

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