Dois funcionários da empresa de elevadores Sur morreram ontem de manhã vítimas de acidente com a estrutura do elevador que estavam instalando no edifício comercial Twin Tawers, na esquina da Avenida Tiradentes com a Rua Rebouças (zona oeste de Londrina). Jorge Luiz da Silva Mello e Edvaldo Ferreira da Silva Junior, ambos de 20 anos, trabalhavam juntos no 15º andar de uma das duas torres do edifício, que está em fase final de construção. Os operários soldavam os pré-marcos (batentes) das portas de acesso ao elevador de serviço.
Ontem a causa do acidente ainda era desconhecida, mas engenheiros responsáveis pela obra acreditavam no rompimento de um dos cabos de sustentação da cabine provisória, colocada para a realização dos trabalhos.
Segundo Fernando Bulaty, um dos engenheiros da Construtora Contrublok, a obra já conta com quatro elevadores instalados. Este era o último a ser colocado.
Bulaty acredita que a morte dos dois funcionários foi causada pelo impacto no fundo do poço do elevador. Eles caíram de uma altura de aproximadamente 60 metros, parando no piso do segundo subsolo, para onde um dos corpos foi provavelmente arremessado, ficando pendurado pela cintura (apenas as pernas para fora) no poço.
O chefe do setor de engenharia legal do Instituto de Criminalística de Londrina, Luciano Bucharles, explicou que o elevador já estava correndo nos trilhos, portanto não caiu em queda livre. Mesmo assim o impacto deve ter sido muito forte.
De acordo com Bucharles, os exames no local do acidente devem ser concluídos em dois dias e o trabalho da perícia em 30 ou 40 dias. ‘‘Se resolvermos pedir exames de resistência dos materiais para ver se estavam dentro das normas, a demora será maior’’, afirmou.
Os cerca de 300 funcionários que trabalham na obra foram dispensados do serviço logo depois do acidente, que aconteceu por volta das 10 horas. Todos estavam visivelmente abalados. ‘‘Eu estava descarregando cimento ali na frente e ouvi o barulho, parecendo uma explosão. Todo mundo saiu correndo mas não deu tempo de fazer nada’’, disse Jurandir Aparecido de Souza, um dos operários presentes.
O diretor da Construblok, Carlos Vaz, explicou que a instalação de elevadores exige mão-de-obra especializada, por isso muitos funcionários vêm de outras cidades. Uma das vítimas, Jorge Luiz da Silva Mello, era um destes casos. Ele veio de Curitiba e estava na cidade há pouco tempo. Alguns colegas de trabalho chegaram a dizer que Mello estaria noivo e teria vindo a Londrina para juntar um pouco mais de dinheiro para casar.
Carlos Vaz afirmou que, justamente por tratar-se de mão-de-obra especializada, acidentes como o que aconteceu ontem no Twin Tawers não são comuns. ‘‘Eu nunca tinha visto nada parecido.’’ Vaz lembrou que a Construblok foi premiada no ano passado por cumprir as normas de segurança.
Embora não esteja concluído, o Edifício Twin Tawers sediou, no mês de junho, a Mostra de Decoração e Interiores – MDI Office 2000. Na ocasião, alguns visitantes assustavam-se com o elevador do prédio, que fazia barulho e exigia que o usuário fechasse a porta manualmente. Segundo Carlos Vaz, isto acontecia porque, por questões de segurança, o elevador foi operado em baixa velocidade. ‘‘Como o prédio não está pronto, fizemos isso justamente para garantir a segurança dos visitantes’’, justificou o diretor da construtora.
Uma comissão da Sur veio ontem de Curitiba e esteve à tarde no local do acidente. A Folha procurou os diretores da empresa para falar sobre o caso, mas eles não retornaram os telefonemas. Segundo funcionários da empresa, uma posição sobre o acidente seria emitida somente após análise.

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