Queda de elevador ainda SEM EXPLICAÇÃO
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 01 de agosto de 2000
Silvana Leão De Londrina 
Até ontem continuavam desconhecidas as causas do acidente com um dos elevadores que estavam sendo instalados no complexo Twin Towers, que causou a morte dos funcionários Jorge Luiz da Silva Mello e de Edvaldo Ferreira da Silva Junior, ambos de 20 anos, anteontem de manhã. Os dois técnicos, contratados pela empresa JJM Instalações e Elevadores para prestar serviços à Thyssen Sur Elevadores, soldavam batentes de aço das portas de cada pavimento, quando caíram do 15º andar, de uma altura de aproximadamente 60 metros.
Ao contrário do que foi sugerido por operários presentes na obra no momento do acidente, a causa da queda do elevador não deve ter sido o rompimento de um dos cabos de aço de sustentação da cabine. Não acreditamos nesta hipótese. Os cabos estão todos inteiros, disse Jorge Carlos Soares, encarregado do setor de instalação da Thyssen Sur. Ele informou que está na empresa há 13 anos e nunca viu acidente parecido com o de anteontem.
Ontem de manhã, um grupo de operários que trabalha na construção do Twin Towers, localizado na Avenida Tiradentes, 1.501, foi dispensado para acompanhar o velório e enterro de Edvaldo Ferreira da Silva Junior, que morava em Londrina com a família e era irmão de Arildo Ferreira da Silva, proprietário da JJM. A outra vítima, Jorge Mello, havia sido contratado em Curitiba, mas seus familiares são de Lajes (SC), para onde o corpo foi encaminhado no mesmo dia do acidente.
Segundo Fernando Bulaty, um dos engenheiros da Construblok, construtora responsável pela obra, foram dispensados os colegas de trabalho que tinham maior proximidade com os dois rapazes mortos. Apenas os elevadores foram interditados para vistoria, informou. Os operários que permaneceram no edifício trabalharam normalmente. Ou pelo menos tentaram. Está um clima muito pesado, disse Adriano Oliveira Santos, que trabalha na obra há cerca de cinco meses, para uma empresa de gesso.
Santos contou que costumava conversar com os dois rapazes que morreram, mas não sabia direito o nome deles. Eles eram muito comunicativos, de fácil relacionamento. Um deles tinha me falado que estava namorando sério e chegou a perguntar a opinião de outros colegas, pois estava em dúvida se comprava um carro ou guardava dinheiro para comprar uma casa.
O chefe técnico do Instituto de Criminalística de Londrina, Geraldo Gonçalves de Oliveira, informou que a equipe de peritos continua trabalhando no caso e pode ser que novas visitas ao local sejam necessárias. Os dados estão sendo passados para o computador, que vai simular várias situações possíveis, explicou. Segundo ele, ainda não há hipótese sobre o que ocorreu e ainda é cedo para estimar um prazo para conclusões.
A Thyssen Sur enviou um engenheiro de Recife, que é perito aposentado, para acompanhar as investigações. Manoel Caetano aguardava, ontem, novas visitas da Criminalística no local. A palavra, porém, será do perito oficial, esclareceu, dizendo não poder fazer avaliações prematuras sobre o caso.
O delegado Algacir Ramos, do 1º Distrito Policial (DP) de Londrina, esteve no local logo depois da queda do elevador colhendo informações, mas explicou que quem deverá baixar a portaria para a abertura de inquérito será a delegada Waldete Testoni, que deverá assumir o 1º DP hoje. Ramos está sendo transferido para o 6º DP.
A Folha tentou entrevistar ontem, no início da tarde, o irmão de Edvaldo Junior e proprietário da JJM, Arildo Ferreira da Silva. Membros da família informaram, porém, que ele assistiu ao enterro do irmão, ontem às 10h30 no Cemitério Jardim da Saudade, e em seguida viajou para Santa Catarina, para prestar assistência à família do outro técnico morto.
Outro irmão de Junior, Amilton Ferreira da Silva, disse que Arildo presta serviços à Thyssen Sur há vários anos, mas não soube precisar quanto tempo. Ele contou ainda que Junior, o irmão mais novo, começou a trabalhar com elevadores há cinco meses, mas que estava na obra onde aconteceu o acidente há 40 dias. Segundo Amilton, tanto o irmão como Jorge Mello tinham namoradas.
O gerente regional da Thyssen Sur, Nelson Bicca de Moraes, informou que a JJM presta serviço à empresa há mais de cinco anos, e este foi o primeiro problema registrado. Eles têm uma boa qualidade de trabalho. O que aconteceu foi um fato raro, e temos que esperar o laudo da perícia para falarmos sobre o acidente.
Segundo o gerente, a empresa existe há mais de 50 anos, sem nunca ter presenciado acidente similar ao ocorrido em Londrina. Ele não soube dizer há quantos anos a Sur (que tem fábrica e diretoria em Guaíba, na região metropolitana de Porto Alegre) instala elevadores na cidade, mas calcula que existam uns 300 elevadores da marca.


