Queda-de-braço derruba delegado-geral
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terça-feira, 27 de outubro de 1998
James Alberti 
O delegado-geral da Polícia Civil do Paraná, Artur Oscar Correia Braga, 51 anos, pediu ontem exoneração do cargo em caráter irrevogável. O pedido teria sido motivado por pressões internas e desentendimentos com outros membros da corporação, principalmente delegados e policiais de grupos de elite. O delegado-geral adjunto Roberto Ferreira do Nascimento, 49 anos, assume a chefia da polícia até a indicação de um novo nome pelo governador Jaime Lerner.
Braga era pressionado por disputas internas, motivadas especialmente por policiais descontentes com transferências, que eles alegavam não ter justificativas concretas.
Albari RosaDesde que assumiu o cargo, em maio de 1997, Braga teria baixado cerca de 100 portarias remanejando delegados e funcionários. Em alguns casos, houve recurso dos policiais, que conseguiram na Justiça a revogação das tranferências. A gota dágua para o pedido de demissão teria sido a tentativa de remanejamento de seis policiais do Comando de Operações Policiais Especiais (Cope).
Os transferidos são os investigadores Augusto João Tedeschi, Hélcio Piasseta, Iocimar Clemente e os delegados Carlos Daniel dos Reis, Leonídia Raquel de Macedo Loiola Hecke e Mário Ramos, este último homem de confiança do delegado do Cope, Ricardo Noronha, que, por sua vez, é um dos cotados para assumir a vaga deixada por Braga.
Todos entraram com mandado de segurança, na última sexta-feira, na 1ª Vara da Fazenda Pública, que concedeu liminar anteontem indeferindo as tranferências. A mesma Vara já havia caçado outro despacho do delegado-geral em 28 de agosto deste ano, quando determinou que o delegado Luiz Antonio Zavataro fosse reintegrado à Polinter.
Zavataro alegou em um mandado de segurança que era perseguido por Braga por causa de divergências pessoais. Para Zavataro, as transferências seriam um caso de abuso de poder de Braga. Outra portaria baixada pelo delegado-geral e revogada pela Justiça referia-se ao pedido de remanejamento do médico-legista Alexandre Gebran Neto.
As decisões da Justiça arranharam a imagem do agora ex-delegado-geral, mas não amenizaram o descontentamento na polícia. Braga também havia sido criticado pelo remanejamento dos delegados Ézio Vicente da Silva, da Delegacia de Furtos e Roubos de Veículos, e de Adauto de Oliveira, da Delegacia Anti-tóxicos, em maio deste ano.
A versão corrente ontem na Assembléia Legislativa era de que a saída de Braga foi motivada por um desentendimento entre policiais em Foz do Iguaçu, em agosto passado. Policiais do Cope, chefiados por Noronha, teriam feito uma operação de combate à criminalidade na região, mas teriam entrado em choque com policiais da confiança do presidente da Assembléia Legtislativa, Aníbal Khury.
O deputado teria pedido a transferência de Ricardo Noronha do comando do Cope. Com trânsito no Palácio Iguaçu, Noronha teria revertido a situação. Isto teria levado Braga a pedir exoneração do cargo.
Já o delegado Ricardo Noronha disse que prefere acreditar que o pedido de exoneração de Braga não tenha relação com as divergências com os policiais sob sua responsabilidade.
A decisão de Braga surpreendeu a categoria policial. Ele próprio havia afirmado, há cerca de um mês, que ficaria no cargo até o final do ano.(Colaborou Andrea Vendramini)


