A queda de 80% no número de bois abatidos no Matadouro Municipal de Foz do Iguaçu é sinal de que a população da fronteira pode estar consumindo carne sem inspeção. O alerta foi feito pelo médico veterinário Dorival Jorge Junior, do Serviço de Inpeção do Paraná em Produtos de Origem Aninal (SIP). Ontem o promotor de Defesa do Consumidor, Renan Fava, visitou o abatedouro acompanhado de técnicos da Vigilância Sanitária.
Foz do Iguaçu pode estar consumindo 1,6 tonelada de carne bovina clandestina por dia. Quando o Matadouro foi inaugurado, em outubro do ano passado, registrava-se uma média de 80 abates/dia. Ontem, o órgão abateu apenas 15 cabeças de boi. Foz do Iguaçu consome cerca de três toneladas de carne bovina por dia. ‘‘Se o número de abates diminuiu, é sinal de que a venda de carne clandestina aumentou’’, garante o veterinário.
O presidente da Associção dos Açougueiros, Arlindo Simo, confirma a existência da venda clandestina de carne. Segundo ele, o centro da cidade está sendo abastecido com carne inspecionada, porém, os bairros da cidade estão consumindo carne abatida em fundo de quintal.
O encarregado da linha de abate do Matadouro, João Maria Damas, diz que o número de abates começa a preocupar o órgão. ‘‘A carne clandestina está passiva de contaminação porque foi abatida de maneira inadequada, além do perigo de doenças infeciosas registrada em animais’’, alerta o veterinário.
O promotor Renan Fava ameaçou pedir abertura de processo administrativo para apurar as responsabilidades pela venda de carne clandestina ao consumidor. Técnicos da Vigilância Sanitária Municipal passaram o dia armando estratégia de ação para fiscalizar pontos de venda de carne e matadouros de fundo de quintal.

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