Queda da temperatura auxilia no combate à dengue em Londrina
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sexta-feira, 12 de julho de 2019
Vitor Ogawa - Grupo Folha 

O frio tem contribuído para a redução dos casos de dengue em Londrina. O município continua com epidemia da doença, com 1.845 confirmações neste ano, segundo balanço semanal divulgado pela secretaria municipal de Saúde - até a semana passada eram 1.791 casos positivos. A diretora de Vigilância da secretaria, Sônia Fernandes, observa que na semana passada foram registrados 99 casos suspeitos, mas nesta semana, em que houve redução da temperatura, a quantidade deve chegar a 60.
“É uma queda natural dos casos suspeitos, quando a temperatura diminui, mas também pelas atividades que temos desenvolvido. Como o número de casos suspeitos e notificados vem reduzindo a cada semana, temos feito ações mais efetivas nesses locais em que eles são constatados", detalha a diretora.
Ela explica que as ações são realizadas de acordo com a localização das notificações identificadas no mapa da cidade. “Nós mobilizamos nossas equipes para essas localidades para fazer um pente fino no sentido de remover todos os focos, mesmo os não usuais, para diminuir a circulação do vetor nessa localidade. Vamos nos bairros desses focos determinados e nos quarteirões mais próximos. Fazemos a vistoria em 100% dos imóveis, procurando não deixar nenhum imóvel para trás, mesmo os fechados. Se for preciso, a gente pode fazer o resgate desse imóvel no sábado”, destaca.
Fernandes conta que na semana passada esse trabalho foi feito nos bairros Santa Fé e Marabá (zona leste), que possuíam muitos casos suspeitos. “Normalmente, depois de feito esse trabalho, a gente acompanha por uma ou duas semanas e vê que os casos de notificações diminuem. Essa espera de duas semanas é necessária porque há um período de incubação. Se o mosquito pica alguém hoje, leva de sete a 10 dias para a pessoa apresentar os sintomas. Se faço a ação hoje, elimino o mosquito agora, mas tenho 10 dias em que vão continuar aparecendo casos que estavam no período de incubação”, esclarece a diretora.
LEVANTAMENTO
Para identificar como está o cenário atual do problema, ela explica que esse trabalho nos bairros com maior número de notificações será interrompido para a realização do Liraa (Levantamento Rápido de Índices de Infestação pelo Aedes aegypti), que começa no dia 15 (segunda-feira) e se estende até o dia 20 (sábado). “Depois dessa semana de trabalho de campo, teremos uma semana de trabalho de laboratório. A gente está prevendo a divulgação do índice no dia 1º de agosto, na quinta-feira”, projeta.
As equipes realizarão visitas a 5% dos imóveis da cidade, o que equivale a aproximadamente cinco mil imóveis. “A expectativa é de que o IIP (Índice de infestação predial) esteja mais baixo que o registrado no começo do ano, quando foi de 7,9% - quando o tolerado pela Organização Mundial de Saúde é de 1%. Esperamos algo em torno de 3% a 4%”, projeta. “Não acredito que haverá diminuição muito além disso, porque os principais focos estão dentro de casa. Mesmo com ausência de chuva, as pessoas continuam molhando suas flores e mantendo seu vaso com água, onde sempre temos focos nas residências”, aponta.
Sobre a estratégia para combater a proliferação da doença no próximo verão, Fernandes ressalta que a sua pasta irá realizar ações em parceria com a CMTU (Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização) para fazer uma operação nessa época do ano que consiga fazer remoção de lixo em fundos de vales, onde há descarte. “Isso ajudaria a diminuir o risco ambiental”, calcula.


