Queda da marquise era certa, segundo IC
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sexta-feira, 07 de abril de 2006
Fernando Rocha Faro<br> Reportagem Local 
O Instituto de Criminalística (IC) apresentou ontem o laudo sobre as prováveis causas do desabamento da marquise do Anfiteatro do Centro de Estudos Sociais Aplicados (Cesa) da Universidade Estadual de Londrina (UEL), que ocorreu em 12 de fevereiro e resultou na morte de duas pessoas. O estudo indica que três fatores contribuíram para a queda: falhas no projeto, na execução e na manutenção do prédio.
A conclusão dos estudos foi apresentada ontem, no Clube de Engenheira e Arquitetura de Londrina (Ceal), com uso de animação gráfica e de uma maquete do anfiteatro. O resultado é semelhante ao encontrado pela comissão de sindicância interna da universidade formada para investigar o que causou o desastre. A única divergência é em relação à influência de uma suposta falta de manutenção na ocorrência.
''Foram três fatores básicos que contribuíram para a queda, mas é difícil determinar a importância de cada um para a queda da marquise. O que realmente provocou o desabamento foi o rompimento das vigas laterais por falhas no projeto estrutural e na execução. A presença da água fez com a queda acontecesse naquele momento, mas o prédio estava condenado, iria cair em dias, anos ou meses'', explicou o perito do IC, Luís Noboru. ''Portanto, a manutenção poderia ter evitado a queda naquele momento'', acrescentou.
A queda da água também salvou vidas, já que empurrou pessoas que estavam sob a marquise na hora do desabamento. Também foi constatado que não havia problemas quanto à resistência dos materiais usados na construção. O laudo será anexado ao inquérito policial que está sendo presidido pelo delegado-adjunto Nelson Águila. ''O laudo é uma peça importante no trabalho de investigação da polícia. Mas também há outras ações como as cartas precatórias para ouvir as vítimas nas comarcas de origem.''
O presidente da comissão interna da UEL, Paulo Roberto de Oliveira, salientou que a presença de água não foi determinante para o acidente. ''Houve muito mais chuva em meses anteriores. Mas é óbvio que o serviço de manutenção não retira o telhado para fazer a limpeza, mas as calhas, telhas e condutores foram limpos.'' A última limpeza, segundo ele, havia sido feita em 11 de janeiro.
Ele destacou ainda que o laudo do IC tem muitos pontos em comum com o trabalho de investigação feito pela comissão da universidade. Como, por exemplo, as críticas ao projeto estrutural, classificado de ''pobre'' por Oliveira, e na execução da obra.
Em entrevista à Folha no mês passado, o responsável técnico pela execução da obra, Wladmir Refosco, confirmou falhas no projeto estrutural, mas negou que houvesse falhas na execução. Segundo ele, o trabalho foi realizado ''à risca''.


