Quebra-quebra teve prejuízo de R$ 700 mil
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quinta-feira, 27 de março de 1997
Paulo Ubiratan 
O Instituto de Criminalística de Londrina estima em R$ 700 mil o prejuízo provocado pelo quebra-quebra ocorrido no dia 16, em Ibiporã, em que foram destruídos o posto da Polícia Rodoviária e a delegacia de polícia daquela cidade. O perito criminal Fernando Bucharles foi quem fez, espontaneamente, o levantamento da destruição.
A avaliação foi feita em cima dos estragos da parte física dos imóveis, dos móveis, materiais de escritório e dos veículos que estavam estacionados nos pátios das duas repartições públicas, explicou Bucharles. Ele avaliou que o prejuízo no posto da Polícia Rodoviária chegou a R$ 600 mil e na delegacia foi de aproximadamente R$ 100 mil.
O quebra-quebra começou horas depois de uma manifestação pública em repúdio à morte do pastor licenciado e vendedor José Idalécio Bueno, ocorrida no domingo anterior. Bueno morreu no interior de uma viatura da Polícia Militar. Existem denúncias de que minutos antes ele teria apanhado de policiais militares. O espancamento teria ocorrido em frente ao posto da Polícia Rodoviária de Ibiporã, localizado na margens da BR-369.
Até quarta-feira, o delegado que apura o caso, Itiro Hashitani, do Tático Integrado de grupo de Repressão Especial (Tigre), de Curitiba, tinha ouvido 75 pessoas. Elas foram identificadas por intermédio de fotos de jornais, videoteipes de emissoras de televisão que cobriram o quebra-quebra e denúncias anônimas. Os envolvidos estão sendo indiciados em inquérito policial por destruição de patrimônio público. Foram roubadas armas, um CPU e disquetes de computador que estavam na delegacia. O CPU arquivava todos os processos que tramitavam na delegacia, cujos originais foram queimados durante a confusão. Ontem não ouve expediente na delegacia de Ibiporã por ter sido decretado ponto facultativo nas repartições públicas estaduais.
O caso da morte do pastor José Idalécio Bueno está sendo investigado por dois inquéritos: um Policial Militar (IPI), especificamente para apurar o possível espancamento; e outro na esfera policial, que investiga se os policiais militares praticaram homicídio contra Bueno. O IPM está sendo conduzido por um oficial da Polícia Militar e acompanhado pelo promotor da 1ª Vara Criminal, Janderson Camões de Carvalho Iassaka. O inquérito civil está sendo presidido pelo delegado Edmo Ermenegildo.


