Luciana Pombo
De Curitiba
Vinte e quatro ônibus depredados, resultando em 43 vidros quebrados e danos gerais na lataria de biarticulados, 15 pessoas feridas, nove policiais encaminhados para tratamento médico, mais de 70 carros atingidos por vândalos. Este foi o saldo do tumulto ocasionado antes, durante e após a partida entre o Coritiba e o Atlético Paranaense, no Estádio Couto Pereira, no Alto da Glória, em Curitiba.
Segundo o diretor de operações da Companhia de Urbanização de Curitiba (Urbs), Euclides Rovani, há três anos não eram contabilizados prejuízos tão significativos. ‘‘Faltou gente para conter toda a revolta e tivemos um espetáculo de vandalismo e horror’’, disse.
Somente a Urbs teve prejuízo de R$ 24 mil com a depredação. Recurso suficiente para construir 48 pontos de ônibus com abrigo na cidade. ‘‘Quem paga esse tipo de prejuízo é o povo’’, disse Rovani.
Ontem, um dia após o conflito entre as torcidas, o estádio Couto Pereira ainda guardava algumas marcas do tumulto. Pedaços de camisas rasgadas, sangue nos alambrados, banheiros destruídos, tijolos quebrados, pedaços de madeira jogados pelo chão. ‘‘Foi um absurdo o que fizeram dentro e fora do estádio’’, afirmou Jacob Mehl, presidente do Coritiba.
O major Nemésio Xavier da Silva, subcomandante do 12º Batalhão da Polícia Militar, disse que há mais de 22 anos trabalha na organização preventiva durante jogos e nunca havia visto tanta violência. ‘‘Este foi o Atletiba mais violento que já vi em minha vida’’, concluiu. Foram apreendidos pela polícia lajotas, tijolos, pedras, celulares, barras de ferro, bolsas, cartão de crédito, dardos com pontas de alfinete. ‘‘Jogaram de tudo dentro de campo’’, disse ele.
Para o major, os grandes responsáveis pela destruição são os próprios torcedores. ‘‘Fizemos imagens chocantes dos torcedores do Atlético destruindo o estádio. Fiquei assustado ao ver que adolescentes de 14 a 16 anos participaram destes atos de vandalismo. Isto é falta de educação vinda de casa, de umas palmadas na bunda’’, definiu ele. Entre os 24 feridos, estava uma criança, de apenas sete anos de idade, que levou uma pedrada na face e foi encaminhada para atendimento no Hospital Cajuru.
Dentro da Igreja do Perpétuo Socorro, um casal que torcia para o Atlético Paranaense foi acuado pela torcida alviverde. No momento, estava ocorrendo uma missa. ‘‘Tivemos que retirar os torcedores do Coritiba de dentro da Igreja para tentar dar apoio ao casal atleticano’’, lembrou.
Nemésio Xavier da Silva disse que irá encaminhar as fitas de vídeo para o Ministério Público para identificação dos vândalos e punição dos torcedores que participaram do tumulto. ‘‘Temos que fazer algo para evitar que novos conflitos como este aconteçam na cidade’’, argumentou.Saldo do Atletiba contabiliza ainda 43 ônibus depredados e outros 70 carros atingidos pelos vândalos, no domingo
Albari RosaArma na mãoTorcedor tenta agredir policial com uma barra de ferro. PM diz que Atletiba de domingo foi o mais violentoAlbari RosaImprovisoO major Nemésio Xavier segura bomba caseira encontrada com torcedores. Pedras, pedaços da catraca do estádio, pedaços de pau e tijolos também serviram de arma

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