Quebra-molas dividem opinião da população
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quinta-feira, 03 de junho de 2004
Silvana Leão<br>Reportagem Local 
Solução para uns, incômodo para outros. Os quebra-molas sempre foram polêmicos, e há três anos e meio deixaram de ser instalados em Londrina. Pelas ruas, porém, eles ainda existem em profusão: são 973, segundo dados da Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU). Os motoristas costumam amaldiçoá-los, enquanto comerciantes e moradores de ruas movimentadas os reivindicam com frequência.
Só em 2003 foram protocolados 32 requerimentos na Câmara de Vereadores pedindo a colocação de quebra-molas e redutores de velocidade, atendendo a solicitações feitas pela comunidade. Neste mesmo ano, foram feitos dois pedidos de retirada de quebra-molas, um rebaixamento e uma substituição. Em 2004, os vereadores protocolaram quatro pedidos de instalação. A justificativa é quase sempre a mesma: conter o excesso de velocidade dos carros e diminuir o risco de acidentes.
Mas se depender do Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano de Londrina (Ippul) e da CMTU, tão cedo eles não voltarão a ser colocados. O novo Código Nacional de Trânsito criou várias exigências para a colocação de quebra-molas, e há inclusive quem entenda que foram proibidos. No caso de Londrina, decidiu-se por não mais instalá-los. ''O novo código prevê que todos os obstáculos fossem reavaliados por uma comissão técnica, que deveria sugerir outras opções, como reforço da sinalização da via'', explica a gerente de trânsito do Ippul, Cristiane Biazzono Dutra. Diante da impossibilidade de substituição dos mais de 900 quebra-molas, o Ippul vem fazendo as retiradas mediante pedidos da comunidade. De 97 para cá foram retirados cerca de 30.
Segundo Cristiane, o rigor em relação às lombadas aumentou por causa de dois principais motivos: por tratar-se de um dispositivo que obriga à redução de velocidade todos os motoristas, inclusive que estão dentro da velocidade permitida, e por apresentar um benefício altamente concentrado, que faz com que os motoristas desacelerarem apenas naquele ponto específico.
Mesmo assim, o comandante da Companhia de Trânsito de Londrina, tenente Ricardo Eguedes, defende o uso do dispositivo onde não existam outras alternativas e seja comum a reiteração de infrações. ''Próximo a escolas, por exemplo, os quebra-molas podem se mostrar eficientes.''
A mesma opinião é compartilhada pela diretora da Escola Municipal Eurides Cunha, na Vila Nova (Área Central), Célia Regina Andreatta. Há dois anos a escola fez um pedido de instalação de lombada que, segundo a diretora, daria mais segurança para os alunos que têm que atravessar a Rua Tietê, uma via de grande movimento. ''A frente da escola está bem sinalizada, mas o quebra-molas seria a solução definitiva.''
Na Avenida Gines Parra, no Conjunto Maria Cecília (Zona Norte), os moradores pedem a instalação do obstáculo há oito anos. ''Os motoristas descem a rua 'voando', o que é um perigo para as crianças da creche e da escola'', diz o comerciante Orias Mateus Machado. Na Câmara, o requerimento pedindo o quebra-molas foi protocolado no dia 15 de abril de 2003.


