A falta de comunicação entre a Secretaria de Educação de Londrina e a direção da escola Neuman Sahyun (região norte) causou um mal-entendido ontem de manhã. Funcionários e professores revoltados com a destruição de telhas de barro executada por funcionários da prefeitura chamaram a imprensa para registrar o fato.
De acordo com o grupo, que não quis se identificar, as telhas estavam amontoadas ao redor do prédio da escola há cerca de dois meses. Foi o que sobrou da reforma feita na estrutura do telhado. Segundo afirmaram, a direção da escola pediu várias vezes à Secretaria de Educação autorização para doar as telhas. ‘‘Conhecemos muitas pessoas que precisam desse material. Não entendemos o porquê da negativa, muito menos sua inutilização’’.
Mesmo inconformados com o fato nenhum deles teve coragem de se apresentar como porta-voz. A diretora da escola não estava e também não foi encontrada pela Folha no período da tarde. A única pessoa que assumiu sua revolta com a situação foi a vendedora Vera Lúcia Novi, que é vizinha da escola e mãe de aluno. ‘‘Acompanhei a preocupação das professoras com o risco que as telhas poderiam trazer para as crianças. Sabia que a direção pretendia doá-las e também não entendi a razão para esse desperdício’’.
Conforme a assessora de planejamento da Secretaria de Educação, Carmem Lúcia Baccaro, as telhas foram levadas para a central de moagem de entulhos da prefeitura. Carmem disse que elas seriam trituradas e reaproveitadas em obras para o município.
‘‘Este ano, seis escolas ganharam telhado novo. As telhas de quatro delas serviram para a cobertura de barracões da Secretaria da Agricultura. Não tínhamos onde guardar o que sobrou nas duas últimas, contudo não poderíamos doar sem a intermediação de uma instituição idônea com sérios critérios de seleção’’, explicou Carmem.
A assessora da secretaria acrescentou ainda que o Provopar foi consultado, mas não dispunha de lugar para guardar as telhas. Parte do material a secretaria utilizou em reformas de escolas nos distritos de Guaravera e Lerroville. Para Carmem a única justificativa para o desconhecimento sobre a destinação das telhas é falta de informação na direção da escola.

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