Quebra-cabeça em três dimensões
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sábado, 28 de fevereiro de 2009
Mariana Guerin<br> Reportagem Local 
Manoel Gaspar, 73 anos, trouxe especialmente de São Paulo 32 peças produzidas por ele para a nona edição do Open GPPL de Plastimodelismo, que termina hoje em Londrina. Dono de nove estantes recheadas com mais de 600 kits, Gaspar construiu o primeiro avião norte-americano de treinamento quando tinha apenas 20 anos.
''Quem começa acha bonito e quer terminar, de preferência, no mesmo dia'', disse o vendedor aposentado, ressaltando que o valor das peças pode variar de R$ 35 a R$ 400. ''Minha primeira peça ainda está guardadinha'', contou.
GPPL é a sigla que designa o Grupo de Plastimodelismo e Pesquisa de Londrina, que reúne cerca de dez modelistas da cidade que se encontram principalmente em eventos e, ocasionalmente, na casa dos sócios para trocar opiniões sobre a montagem e pintura dos kits.
Segundo o arquiteto Sérgio Vasconcellos, sócio-fundador do GPPL, plastimodelismo é a arte de criar réplicas em plástico de objetos, veículos e aviões originais, que podem ser do tempo da II Guerra Mundial ou até espaçonaves futuristas. ''É como um quebra-cabeça em três dimensões'', descreveu Vasconcellos, citando a pesquisa como fator fudamental para o sucesso de uma peça.
''Vem tudo em plástico, numa cor só. Você destaca as peças, monta conforme a planta e pinta, respeitando o modelo original. Mas se quiser também pode fazer uma peça única e diferente'', explicou o arquiteto, que levou para a mostra duas peças produzidas pelos filhos Jade, 12, e Jared, 10, além dos aviões e navios montados por ele.
''Mais difícil foi pintar a rua e os soldados'', confessou Jared, ao contar como reproduziu uma batalha da II Guerra, onde soldados ingleses se aprontavam para atirar fogo contra os inimigos numa rua francesa. Como o irmão, Jade deu um toque todo especial à sua versão de um avião de guerra: pintou a peça de cor-de-rosa e ganhou destaque entre os itens expostos.
Vasconcellos comprou seu primeiro kit de plastimodelismo aos 14 anos e já montou mais de 300 kits desde então, alguns até por encomenda. ''Tenho um ateliê e meu objetivo é sempre chegar o mais próximo possível do modelo original'', declarou o arquiteto.
Aos 15 anos, Henrique Ribas Campinha é o mais novo integrante do GPPL. Montou o primeiro kit no ano passado, movido pela paixão por tudo que lembra a II Guerra Mundial. ''Primeiro estudo a história da peça, depois monto e pinto'', comentou o estudante, que adora saber o que os companheiros estão montando para dar dicas.
Cerca de 25 modelistas de Londrina e outras cidades brasileiras participam do 9º Open GPPL, totalizando mais de 300 maquetes, que ficarão expostas no Com-Tour Shopping Center até as 17 horas de hoje. Um workshop ministrado pelo cônsul norte-americado no Brasil, David Brooks, que veio a Londrina divulgar um jogo de estratégia militar, um júri popular e um concurso técnico para escolher as peças mais bonitas completam a programação da mostra.


