Que tipo de balada seu filho frequenta?
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 28 de julho de 2008
Mariana Guerin<br> Reportagem Local 
Sexo, drogas e rock-and-roll. Pagode, axé, sertaneja, música eletrônica. Não importa o tom da noite: qualquer balada juvenil é capaz de perturbar o sono de quem só descansa quando escuta a chave de casa arranhar a fechadura. ''Quando o Leonardo começou a sair era eu quem levava ele para todo lugar. Até em boate já fui, mas não ficava com a turma'', confessa a empresária londrinense Roseli Brum, mãe de Leonardo, 21 anos.
De tanto controlar, o filho começou a respeitar os limites impostos pela mãe para não pagar mico na frente dos amigos. ''Eu esperava ele chegar, mas se ele demorava muito, eu ia buscá-lo na festa e ele ficava constrangido.''
Roseli conta que Leonardo começou a dar os primeiros pulos aos 16 anos, em festas na casa dos amigos. ''Em boate eu não deixava ele ir porque não podia entrar'', lembra a empresária, que ainda hoje espera, entre um cochilo e outro, o filho chegar da balada. ''Sempre ligo para saber onde ele está e quando ele chega, eu levanto para ver em que estado ficou depois da festa.''
E apesar de tanto controle, mãe e filho são melhores amigos. ''Temos um bom relacionamento, conversamos muito e ainda consigo convencê-lo a não ir a determinada balada se acho perigoso'', declara Roseli, citando que ela e as mães dos amigos de Leonardo, apesar de não serem amigas, falam a mesma língua. ''Ele já sabe que se a mãe de fulano não deixar, ele não também não sai.''
Perder noites de sono pelos filhos não é só atitude de mãe. Em Londrina, o empresário José Paulo Neri Romero costuma reclamar com o caçula Guilherme, 22, sempre que ele chega em casa à luz do sol nascente. ''Acabo adormecendo, mas durmo preocupado. Minha esposa é que sempre liga pedindo para ele voltar cedo. Ele diz que está chegando, mas nunca chega. Estou sempre dando bronca'', comenta Romero, que nunca proibiu o filho de sair.
Guilherme não reclama do controle dos pais, mas também nunca obedece. Diferente do irmão mais velho, Gustavo, 26, que ''é responsável até demais'', como afirma o pai. ''Já falei para o Guilherme que se ele for pego por causa de bebida ou se bater o carro na balada não é para me ligar que eu não vou buscá-lo, mas se o problema acontecer a caminho da escola ou do trabalho, ele pode contar comigo'', garante Romero.
''A mãe pode até cochilar, mas só dorme quando o filho chega. Eu aproveitava essa insônia forçada para arrumar gavetas, ver uns vídeos'', diz a advogada Sílvia Zomer, mãe dos estudantes Bárbara, 18 anos, e Pedro, de 19, de São Paulo. ''Prefiro dormir menos do que ver minha filha voltar de carona. É preciso ter tempo para ser mãe de adolescente, é preciso estar presente. Dar limites é trabalhoso, mas limite também é uma forma de carinho'', opina.
Na opinião de Silvia, o binômio sexo e drogas, assuntos recorrentes nos diálogos entre pais e adolescentes, foi ampliado por um elemento mais assustador: a violência urbana. ''Meus dois filhos já tiveram o primeiro 'porre histórico', muita ressaca no dia seguinte, mas nada fora do aceitável. Bebidas e drogas são relevantes pela forma incisiva como chegam aos jovens, pela facilidade na aquisição e pela liberdade de consumo nos bares e boates. Sei que alguns amigos dos meus filhos são usuários, por exemplo, mas a violência preocupa mais porque não depende só deles.'' (Colaborou Giuliana Reginatto, da Agência Estado)


