Que roupa os vereadores devem usar?
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sexta-feira, 14 de fevereiro de 1997
Carina Paccola 
Depois de uma campanha disputadíssima no ano passado e da posse em 1º de janeiro, segunda-feira os vereadores eleitos têm sua primeira sessão ordinária na Câmara de Londrina. De cara, terão que dar parecer sobre seis projetos. Entre eles, denominação de via pública, proibição de uso de autódromos, estádios de futebol e ginásios de esportes para fins que não sejam esportivos e um projeto determinando que empresas vencedoras de licitação de serviço público concedam a seus funcionários participação nos lucros.
Dos 21 vereadores, apenas oito foram reeleitos. Estes têm prioridade na escolha das salas, das vagas de estacionamento e de cadeiras na tribuna. Entre os novatos, um sorteio define que espaço físico cada um vai ocupar nessa legislatura.
Boa parte deles já começou a trabalhar. Divididos em comissões por temas, os vereadores já estão atuando junto à comunidade. A polêmica em torno do transporte coletivo, que está mobilizando a Comissão de Defesa ao Consumidor, é um exemplo de que há muito o que fazer.
O presidente da Câmara, Adalberto Pereira (PFL), vai se deparar, logo no primeiro dia de legislatura, com uma bronca de alguns colegas: uma mudança estrutural - que pode ser uma reforma - para que as salas sejam ampliadas. Os vereadores reclamam que os gabinetes são pequenos para atender as pessoas da comunidade que todos os dias fazem suas queixas e pedidos. Ano passado propus a construção de um anexo para os vereadores e para a biblioteca ou, então, para a parte adminstrativa, que cederia suas salas para nós. A Câmara também precisa ter uma capela mortuária, no subsolo, afirma Renato Araújo (PPB), que está em sua sexta legislatura consecutiva.
Araújo diz que na sala que ocupa cabem duas mesas - uma para ele e outra para sua assessora. Tenho duas assessoras de gabinete, que revezam o horário por falta de espaço.
Em sua primeira legislatura, o vereador Salvador Francisco (PSDB) defende a reforma dos gabinetes. Mas com uma diferença: Todos têm que ter as mesmas condições físicas para atendimento da população, diz. Envolvido na discussão sobre transporte coletivo, Salvador Francisco afirma que o principal pedido das pessoas que vão ao seu gabinete é emprego. Tem gente que traz contas atrasadas para pagamento. As pessoas acham que os vereadores têm que resolver seus problemas particulares, e não os da comunidade. Segundo ele, representantes e lideranças de bairros também recorrem constantemente à Câmara. É essa a forma correta de encaminhamento dos problemas, diz Salvador, que preside a Comissão de Defesa do Consumidor. A população tem que aprender a participar das organizações de seu bairro para reivindicar soluções para questões comunitárias.
Antônio Ursi - único vereador eleito pelo PT - tem ido todos os dias à Câmara desde que tomou posse. Uma das características de seu trabalho é envolver a população que o procura na discussão com outros queixosos de plantão. Quando chega um problema, chamo os que estão na sala de espera para discutir junto o assunto. Além de pedidos de emprego, Ursi tem ouvido reclamações sobre bueiros entupidos e ruas esburacadas.
Funcionário público há 22 anos, Ursi pretende atuar junto à área rural, ao esporte amador e, claro, brigar pelas reivindicações dos servidores. O fato de ser o único do PT na Câmara não o preocupa. Tenho apoio grande dos funcionários, das lideranças da região sul e dos que estão ligados ao esporte amador na Cidade.
Nesse início de mandato, os vereadores vão discutir assuntos tão distintos quanto peculiares. Em meio às tradicionais denominações de vias públicas, vão enfrentar temas espinhosos como o futuro do transporte coletivo na Cidade, complexos como a aprovação do Plano Diretor e peculiares como a vestimenta que os nobres edis devem trajar durante as sessões.
Esse último é objeto do peemedebista Célio Guergoletto. Ex-presidente da Casa, vereador de terceira legislatura, Guergoletto vai propor, através de projeto de resolução, mudança no regimento interno da Câmara pelo qual os vereadores serão obrigados a vestir paletó e gravata e proibidos de usar o telefone celular durante as sessões. A Sercomtel S/A cedeu 21 telefones celulares, um para cada vereador. Imagino que esses telefones vão criar problema durante a sessão, atrapalhando quem estiver falando. É preciso disciplinar. A todo momento pelo menos um telefone vai estar tocando, argumenta Guergoletto.
Ele afirma há vereadores que abusam, indo às sessões vestidos de jeans e camiseta. Dá conotação de cidade do interior, cada um vai como quer. Acaba se misturando com os munícipes que às vezes entram no plenário para conversar com alguém, afirma o peemedebista. Já recebemos visita de embaixador. É preciso estar decentemente trajado. Para Elza Correia (PC do B), única vereadora, Guergoletto receita blazer ou outro traje social.


