Qual será o destino daquela soturna, quase secular construção encravada numa das áreas residenciais mais valorizadas de Curitiba? A transferência da Prisão Provisória de Curitiba (o conhecido Presídio do Ahu) vai acontecer, na melhor das hipóteses, em dois anos, segundo avalia o secretário estadual da Justiça, Eduardo Rocha Virmond. Com base no decreto 4.602, baixado pelo governador Jaime Lerner, a área deverá ter outra destinação. Segundo Virmond, a mudança da prisão é uma ‘‘decisão de governo’’, mas ele ressalta que o processo ‘‘é demorado’’.
Sua posição: ‘‘Na verdade, (o decreto) é uma autorização de venda. O meu problema, na Secretaria da Justiça, é saber para onde e como transferir os detentos. A minha visão é que para vender a área há necessidade de se ter uma prisão moderna para abrigar os presos, e isso ainda vai demorar’’. A idéia é construir uma nova Prisão Provisória em Piraquara, mas isso ainda depende de estudos detalhados para avaliar a viabilidade da proposta, disse o secretário.
O decreto, baixado discretamente pelo governador Jaime Lerner no dia 14 de julho, institui uma Comissão Especial de Licitação encabeçada pelo secretário da Fazenda, Giovani Gionédis, encarregada de promover a permuta da área de mais de 70 mil metros quadrados. No dia 2 de julho, houve em Brasília a assinatura de um convênio entre o Estado, a Prefeitura de Curitiba e o Instituto Nacional do Seguro
Social (INSS) - que também é proprietário da área -, segundo o qual compete ao Estado licitar a construção de novas unidades prisionais, reforma do pavilhão e recuperação do espaço, que pode virar um centro cultural ou abrigar uma rede comercial, além de um posto de serviços do INSS.
A polêmica sobre a transferência do Presídio do Ahu é muito antiga. A primeira proposta surgiu no segundo governo Ney Braga e teve seguimento na gestão de José Hosken Novaes. Retomada no governo Álvaro Dias, que chegou a propor a venda ou permuta da área, a questão foi esquecida e só agora começa a ganhar fôlego, já que é uma promessa de campanha do prefeito de Curitiba, Cassio Taniguchi. Para o secretário Virmond, ‘‘o atual governo está levando a culpa pela superlotação no sistema prisional, mas a verdade é que os governos anteriores não se preocuparam em construir prisões, o que está sendo feito agora’’. Virmond nega uma queda de braço com a Prefeitura de Curitiba, que tem pressa em desativar o presídio. ‘‘Isso ficou na mão do Cassio, mas o que precisamos é uma ação combinada entre todas as partes envolvidas. Felizmente isso vai se resolver’’, diz.

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