Com a safra da manga chegando ao fim, as margens e imediações do lago Igapó agora estão cheias de coquinhos, goiabas, abacates e... Uai, que diacho de fruta é essa? Se quem tem boca vai a Roma, por certo, descobrir o nome de uma frutinha tão insignificante, não será tarefa das mais difíceis, principalmente numa terra com forte influência rural. Ledo engano.
Das pessoas que caminhavam ou pescavam na beira do lago, a maioria nunca viu a dita cuja pela frente, embora um ou outro tenha arriscado um palpite. Um senhor de idade avançada pegou uma na mão, olhou, analisou o formato, e vaticinou: ''Não sei o que é, mas que é fruta, é''. Por ser pretinha e muito semelhante, um velho pescador arriscou, sem muita convicção, um ''acho que é jambolão''. Já um ambulante nordestino, que passava por ali carregado de espanadores, respondeu na lata: ''Parece azeitona preta'', se esquecendo que o Brasil não produz azeitona e oliveira por aqui nada mais é que sobrenome de cristão novo.
Um japonês de meia idade vem caminhando pela beira do lago, agora sim, o enigma será decifrado, os japoneses entendem de frutas como ninguém. Qual o que, nova decepção - ''Nunca vi...!'' - embora tenha feito uma advertência de peso: ''Ô... Mas se não tiver passarinho comendo, cuidado!''. De dois capinadores que trabalhavam nas imediações, um não quis palpitar, mas o outro chutou de primeira: ''É seriguela ou jambolão, mas acho que tá mais pra jambolão!''.
A velha pescando à beira do lado também não sabia, mas ficou intrigada com a curiosidade: ''Por que está perguntando, você quer comer? Olha lá, hein, acho que é perigoso...''. Usando o mesmo argumento de Ataulfo Alves - ''Laranja madura, na beira da estrada, tá bichada Zé ou tem marimbondo no pé...'' - um homem, também já vivido, advertiu: ''Não arrisca comer não, o pé tá carregado, bem aqui na beirada da rua, se fosse fruta de chupar...!''
O problema é que as frutinhas são muito sadias e não foi notada a presença de marimbondos ou abelhas na árvore. Passarinho, também não. Caramba, que diacho de fruta é essa? Jambolão, com certeza, não é: na rua Albânia, próximo dali, existem inúmeros pés de jambolão, enormes, com as folhas bem diferentes daquela árvore mediana. Pra não dizer que estou inventando coisas, levei uma folhas e chamei uma senhora pra confirmar: ''Não é jambolão, a folha é muito diferente pode olhar; a fruta até é parecida, será que tem jambolão de duas qualidades?''
Existam ou não duas espécies de jambolão, o fato é que aquela árvore carregada de frutinhas verdes, marrons e pretas, próxima da barragem do Igapó, ao lado do pontilhão sobre o rio Cambezinho, do lado direito de quem vai em direção à Cativa, está lá a desafiar quem possa dizer o que é - alguém se habilita a identificá-la? Respostas para a Redação da FOLHA. (Apolo Theodoro)

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