QUE BONITO É
QUE BONITO É
Abrem-se as cortinas, começa o espetáculo. A chuva cai sobre o gramado do estádio municipal Prefeitura de Londrina. Ali, como no Brasil inteiro, a contagem regressiva para a Copa do Mundo torna os dias cada vez mais parecidos com um angustiante zero a zero, aos 45 do segundo tempo e com o juiz roubando para os gringos. O futebol é uma obsessão nacional, estimulada pela cultura e pelo bombardeio do marketing, com patrocínio da Nike, aquela empresa escaladora de canarinhos. Nessa mistura de empolgação e lucro, tudo vira bola, sob qualquer pretexto. Os operários da prefeitura desprezam a garoa e transformam o balde amarelo em gorduchinha. Estaria o tempo regulamentar esgotado? A única certeza é que a grama do Paço Municipal virou Ozoir-la-FerriSre. O operário virou Ronaldinho. O funcionário do almoxarifado incorporou Rivaldo. O auxiliar de serviços gerais encarnou Lídio Toledo. O prefeito Belinati, que seria o Zagallo (ou o Zico?) do pedaço, está na Europa - na Bota, mas longe das chuteiras da França. Boa chance para o trabalhador burlar essa retranca do dia-a-dia, pelo menos um pouquinho. Boa oportunidade para chegar ao mais cobiçado dos presentes - também conhecido por gol.
(Paulo Briguet)





