Todos os dias, quatro crianças são violentadas em Curitiba e região metropolitana. O dado, do Instituto Médico Legal (IML), foi apresentado ontem pela sargento Tânia Guerreiro, da Polícia Militar do Paraná, uma das palestrantes convidadas do seminário sobre pedofilia e internet promovido pelo Núcleo de Proteção à Criança e ao Adolescente Vítimas de Crime (Nucria) de Curitiba.
Mais de 800 profissionais que atuam com crianças e adolescentes participaram, ontem do seminário, em Curitiba. De acordo com superintendente do Nucria, Luiz Augusto Dias de Souza, o objetivo do encontro foi instruir os professores, pedagogos, psicólogos, policiais, conselheiros, entre outros, a identificar e lidar com vítimas de abusos.
Tânia Guerreiro enfatizou que os professores são peça-chave na identificação do crime sexual, já que a grande maioria dos casos acontece dentro de casa e 90% das mães são coniventes e não denunciam o agressor.
A sargento, com 26 anos de experiência na área de combate à pedofilia, apontou alguns sinais que ajudam a perceber quando a criança pode estar sendo vítima de abuso. "Ela chora muito, come compulsivamente ou pára de comer, é triste, urina na cama. Todas as crianças abusadas deixam marcas nas roupas íntimas que não são naturais", explica.
Para os pais, ela defende a conversa aberta. "Como os pais não podem ficar com os filhos o tempo todo, eles têm que conversar sobre pedofilia. Usar uma linguagem que eles entendam e proibir atos que possam colocar a criança em risco, como dormir fora de casa ou usar banheiros públicos sozinha", recomenda Tânia.
O delegado do Núcleo de Combate ao Cybercrime, Demetrius Gonzaga de Oliveira, explica que a internet é um local onde não apenas a pedofilia, mas diversos tipos de crime que envolvam crianças e adolescentes, são facilitados. "Como é muito fácil se esconder atrás de um computador, o ambiente virtual é um facilitador de muitos crimes. O criminoso cibernético é mais preparado, raciocina mais, coleta informações de suas vítimas. Ele usa de engenharia social para se aproveitar das pessoas", conta.
A melhor defesa, na opinião de Oliveira, é que os pais acompanhem o que os filhos fazem on-line. "É preciso conhecer como funciona a internet, o bate-papo, os sites de relacionamento. Se for inevitável, pode fazer o cadastro também para ver as mensagens que o filho recebe. Só não dá para achar que porque a criança ou adolescente está dentro de casa está seguro".

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