Curitiba - Quatro pessoas foram indiciadas no inquérito sobre a morte do representante comercial Francisco Carlos Stroka, 53 anos, vítima de espancamento na madrugada de 9 de agosto. Uma semana depois, ele acabou morrendo em decorrência de um traumatismo craniano. Claikson de Jesus Ferreira foi indiciado por lesão corporal seguida de morte e João Cícero Muller por lesão corporal grave. Ambos, brasileiros, são funcionários de uma montadora francesa. Os dois policiais militares que atenderam a ocorrência os soldados Gerson Espigiorin e Irinan dos Santos foram indiciados por omissão no cumprimento do dever e falso testemunho. A acusação contra os PMs será investigada em inquérito policial militar.
O inquérito de mais de 300 páginas foi encaminhado anteontem à Justiça. O Ministério Público tem cinco dias para oferecer denúncia. O delegado do 9º Distrito Policial, Roberto Heusi de Almeida Júnior, designado para presidir investigações, preferiu não falar sobre o teor do inquérito. As informações foram dadas à Folha pelo advogado da família de Stroka, Edigardo Maranhão.
Stroka foi agredido durante um bate-boca no condomínio onde mora. Os moradores do condomínio Tirol das Araucárias reclamaram do barulho de uma festa em uma das casas para a síndica do local, Regina, mulher de Stroka. O primeiro pedido para silenciar a festa não teria sido atendido. Stroka, então, acompanhou a mulher e dois policiais militares até a casa, quando começaram as discussões e agressões.
Segundo as testemunhas ouvidas, a polícia não tomou nenhuma atitude para impedir a briga. Stroka desmaiou e foi levado ao Hospital Cajuru, onde permaneceu em coma profundo até sua morte.
O advogado de Muller, Beno Brandão, contesta a informação passada por Maranhão e garante que o indiciamento de seu cliente foi por lesão corporal simples, cuja pena varia de três meses a um ano de prisão. Brandão sustenta que Muller agiu em legítima defesa, pois teria sido inicialmente agredido por Stroka, com um soco na boca. A versão, segundo o advogado, pode ser comprovada pelo depoimento da maioria das testemunhas e pelo laudo de lesão corporal.
Já o advogado que defende Claikson Ferreira, Dirceu Casagrande, disse que seu cliente tentou apartar a briga entre Muller e Stroka, quando também teria sido agredido pelo representante comercial, revidando a agressão. Segundo Casagrande, Ferreira admite que deu o soco no rosto de Stroka, mas não há prova de que essa agressão que teria feito a vítima cair, batendo com a cabeça. Casagrande defende que não foi Muller o responsável pela lesão que causou a morte de Stroka.

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