Quatro pessoas de uma mesma família foram baleadas dentro da própria casa, em um sítio do Distrito Espírito Santo (Zona Sul de Londrina), no início da noite de anteontem. Três permaneciam em estado gravíssimo, até a tarde de ontem. O crime intrigou os parentes das vítimas e a polícia, que descartou a hipótese de se tratar de um assalto, já que nada foi levado.
Foram feridos o agricultor Odelacir Aparecido Agassi, 53 anos; a mãe dele, Irene Caberli Agassi, 75; e dois filhos, Douglas, 27, e Karina, 17. No momento do crime, a maior parte da família estava reunida na cozinha, de acordo com a filha adotiva de Odelacir, Edivanda Neres Vieira, 36, que mora em frente ao local. Ela disse ter ouvido vários tiros, por volta das 19h30, e em seguida viu dois homens encapuzados fugirem à pé da residência. Além das vítimas, pelo menos outros três membros da família estavam na casa, mas não sofreram ferimentos.
Um deles era o outro filho do agricultor, Carlos Roberto. Ele contou que os dois homens já entraram atirando pela porta externa da cozinha, que estava aberta. ''Eles não disseram nada. A primeira a ser ferida foi minha avó, depois os outros. Atiraram para todo o lado. Eu consegui fugir e me esconder no quarto'', relatou.
Segundo os familiares, Odelacir estava deitado no sofá da sala e, ao ouvir os tiros, foi de encontro aos bandidos e conseguiu impedi-los de chegar até os quartos. ''Ele foi ferido na nádega mas ainda conseguiu tirar a arma de um deles. Aí eles fugiram sem roubar nada'', detalhou Edivanda.
Mesmo ferido, o agricultor ainda teria ajudado a transportar a família até o Hospital João de Freitas, em Arapongas (37 km a oeste de Londrina), o mais acessível a partir daquela localidade. Segundo informações do hospital, Odelacir era o único que não corria risco de morte ontem. As outras vítimas estavam na Unidade de Terapia Intensiva (UTI).
Parentes e amigos não conseguiram encontrar explicação. ''Aqui ninguém tem medo de nada, nunca houve crime nenhum, nem roubo'', disse uma vizinha. A família garantiu que não tinha inimigos.
Pouco depois do crime, a Polícia Militar (PM) prendeu dois suspeitos na Estrada do Bule, próxima ao sítio. Eles estavam num Opala branco, carro que teria sido visto por moradores saindo em alta velocidade da região. Mais tarde, a dupla foi reconhecida por um dos familiares, por meio das roupas que usava. São eles Anderson Teles Marques, 18, que já cumpriu pena por homicídio, e um adolescente de 16 anos. Em depoimento à polícia, eles negaram a autoria do crime.
O delegado de plantão da 10 Subdivisão Policial (SDP), Airton Simplício, acredita que o crime foi encomendado. ''Provavelmente os rapazes trabalhavam como pistoleiros de aluguel. Parece que a família (Agassi) tinha atritos há mais de cinco anos com outra família, e o crime pode ter sido motivado por vingança'', cogitou. Ainda de acordo com o delegado, Douglas Agassi teria entrado em luta corporal com um vizinho há poucos dias.
A arma que teria sido retirada dos bandidos por uma das vítimas, um revólver calibre 38, foi apreendida pela PM. Uma segunda arma, uma pistola 380, foi encontrada na Estrada do Bule.

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