Quatro mil ficam sem transporte escolar
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quarta-feira, 28 de novembro de 2012
Érika Gonçalves <br> Reportagem Local 
Cerca de 4,6 mil usuários do transporte escolar rural estão sem condução desde ontem, depois que a Transportadora Kalunga Ltda, contratada pela Prefeitura de Londrina, suspendeu o serviço, devido a uma divergência quanto ao pagamento de um aditivo contratual no valor de R$ 2,5 milhões. Do total, 4,2 mil são alunos das redes municipal e estadual de ensino e o restante é formado por professores e funcionários das escolas. De acordo com levantamento da Secretaria Municipal de Educação, 1.316 alunos perderam as aulas ontem. O número poderia ter sido maior não fosse a suspensão das aulas na rede estadual. Se o impasse persistir, o ano letivo da rede municipal pode ser estendido além do dia 19 de dezembro.
Os alunos da rede municipal na zona rural estão distribuídos em 12 escolas - uma em cada distrito, mais um Centro de Educação Infantil (CEI) e um Centro Municipal de Educação Infantil (Cmei). Porém, a secretaria de Educação contabiliza 36 escolas, já que muitos alunos são trazidos para as escolas da zona urbana.
No Distrito de Irerê (zona sul), dos 150 alunos do período da manhã da Escola Municipal Professora Aracy Soares dos Santos, cerca de 40 faltaram. Alguns foram levados pelos pais, como o pedreiro Wagner de França, pai de Yasmin, de 7 anos. Morador de um sítio distante 5 km da escola, ele trabalha em Londrina e precisou mudar a rotina para que a filha não perdesse a aula.
''O motorista da van avisou ontem (segunda-feira) que não haveria transporte e por isso vim trazê-la, mas vou chegar atrasado no trabalho. Além disso, terei que voltar na hora do almoçop para buscá-la. Se a paralisação continuar, não sei como vamos fazer, porque não posso chegar atrasado todo dia'', reclamou.
As professoras Jusilene Lenine e Lusinete Barbosa dos Santos, moradoras da área urbana de Londrina, conseguiram chegar ao trabalho, mesmo que um pouco atrasadas, depois de pegar três conduções. ''Tivemos que sair de casa bem mais cedo, sem saber se teríamos alunos. Agora temos que ver como iremos embora'', afirmou Lusinete.
Alguns alunos ficaram nas estradas rurais na expectativa que o ônibus passasse, como Sayra Beatriz Murari Fidélis, de 10 anos. ''Disseram que talvez não tivesse ônibus, mas que era para esperarmos até às 8 horas'', contou. O pai da garota e de mais uma menina de 8 anos, Sydney Fidélis, disse que ficou sabendo da falta de ônibus, mas não pôde levar as filhas na escola por causa do trabalho. ''Tenho que estar no sítio às 6 horas. Como vou deixar as meninas sozinhas lá na escola todo esse tempo?'', questionou.
O operador de máquina Pedro de Lima disse que as duas filhas, de 9 e 13 anos, também deixaram de ir na escola. ''Minha esposa ficou sabendo por uma vizinha agora cedo que não teria ônibus. Se a situação não for resolvida teremos que dar um jeito, porque elas não podem ficar faltando nas aulas.''
Período letivo
O diretor da escola, José Aparecido Costa, conta que as aulas estão previstas até o dia 19 de dezembro e que muitas turmas ainda estão fazendo as avaliações finais. ''Temos 150 alunos no período diurno e 160 à tarde e muitos são moradores da vila rural ou dos sítios e terão dificuldade para chegar. À noite atendemos alunos do Ensino de Jovens e Adultos (EJA), que vêm de Londrina depois do trabalho. Para eles o problema vai ser voltar para casa, porque saem daqui às 10 horas da noite'', explicou.


