Quatro meninas morrem em piscina
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sexta-feira, 12 de março de 1999
Paulo Pegoraro 
Quatro garotas, com idades entre 12 e 13 anos, morreram ontem em Cascavel quando tomavam banho em uma piscina, cujo proprietário cobrava R$ 2,00 de cada frequentador. As garotas estudavam no Colégio Polivalente e deixaram de ir à aula para se banhar. Elas estavam sozinhas na piscina e não havia qualquer equipamento de segurança. Há a hipótese que sofreram congestão, pois haviam acabado de comer sanduíches. Segundo a Polícia, o proprietário, Aires Pereira, 60 anos, deve ser enquadrado por homicídio culposo, com agravantes, e com pena multiplicada por quatro.
As vítimas são Eva Caroline Gonçalves Biagi e Franciele Santos, ambas de 12 anos, e Juliana Líbero da Silva e sua prima Jaqueline Silva, ambas de 13 anos. Elas estudavam na 7ª série do Colégio Polivalente, distante pouco mais de mil metros da piscina - na Rua Visconde do Rio Branco, 3611, no bairro Claudete, zona norte da cidade. No local, que era frequentado por populares principalmente aos finais-de-semana, estava apenas a esposa do proprietário, Lídia Pereira, 56 anos. Uma filha de Lídia, que pediu para não ser identificada, relatou que ela não queira deixar as meninas entrar, porque não era dia de tomar banho, mas elas insistiram.
Ela disse que, quando viu os corpos das meninas boiando, Lídia passou mal e teve que ser internada em hospital. Aires Pereira teria ido cobrar umas contas na cidade. Até o final da tarde ele não havia sido localizado. A Polícia não tinha endereços completos e nomes dos pais das quatro meninas. A direção do Colégio Polivalente preferiu não fornecer mais detalhes, para evitar qualquer confusão, segundo uma funcionária. Sabe-se que pelo menos uma das menores havia dito à sua mãe que não haveria aula ontem à tarde para sua turma. Na beira da piscina foram encontrados os cadernos escolares.
Pelo relato da filha dos proprietários da piscina e de vizinhos, as quatro meninas chegaram por volta das 14h30 e uma hora depois duas delas saíram para comprar sanduíches, retornando a seguir. Em volta dos corpos havia muito vômito. Ninguém ouviu gritos, o que provoca estranheza à Polícia, pois a lógica indica que elas não teriam sofrido congestão exatamente ao mesmo tempo, e umas poderiam ter tentado socorrer as outras e gritado. O Instituto Médico-Legal deve divulgar laudo só na próxima semana. O delegado Nobuo Nagase, que esteve no local, preferiu não avançar em comentários.
O delegado observou que no local não havia bóias ou outros equipamentos de segurança, e nem orientadores. Este tipo de cuidado é obrigatório em piscinas frequentadas pelo público, disse. O delegado explicou que o proprietário da piscina não será preso quando se apresentar, porque, neste caso, não cabe. O local foi interditado depois do trabalho da perícia, Corpo de Bombeiros, Siate e polícias Civil e Militar. O Colégio Polivalente suspendeu aulas ontem.


