Apucarana - A Prefeitura de Apucarana (Centro-Norte) afastou os quatro médicos da Unidade de Pronto Atendimento que atenderam o menino Roberto Camargo Almeida Filho, de apenas 11 anos. Ele morreu no Hospital da Providência no último sábado. A criança recebeu assistência nas quatro vezes em que foi levada até a UPA, mas a constatação do diagnóstico de trombose venosa profunda só ocorreu na última consulta realizada na quarta-feira, quando o paciente foi encaminhado às pressas para a Unidade de Terapia Intensiva do Hospital da Providência, mas não resistiu.
O promotor da Saúde de Apucarana, Vilmar Fonseca, instaurou inquérito civil para apurar os fatos, pois esta não seria a primeira morte ocorrida por falhas no diagnóstico. "Vamos reunir todos os documentos: prontuários, quais foram os profissionais que atenderam o caso, relatórios da enfermagem e, então, verificar o que está acontecendo", disse ele, complementando que há 45 dias um rapaz de 21 anos morreu após embolia em decorrência de uma fratura não identificada no fêmur.
Muito abalada com a perda do filho, a costureira Valacir Aparecida de Oliveira reclamou do "descaso com que os profissionais da UPA prestaram os serviços". Segundo Valacir, o filho contou que se machucou no dia 4 de outubro na quadra da escola, mas não chegou a comentar o fato com professores e amigos por acreditar que se tratava de uma lesão comum.
A procura por atendimento começou no dia seguinte, quando Roberto reclamou de dor e verificou que o tornozelo esquerdo estava inchado. A mãe e o filho foram até a UPA na noite de sábado. "O médico disse que não era nada, que era só uma distensão no nervo e receitou um remédio", contou Valacir. Conforme a mãe do paciente, o profissional não requisitou exames de Raio-X e o menino estava com febre.
No domingo à noite, o garoto voltou a reclamar de dor e foi atendido novamente na UPA. Desta vez, o segundo médico pediu uma ultrassonografia, mas, conforme a mãe do menino, o enfermeiro teria se equivocado e levado o paciente para um exame de Raio-X. "Depois do exame, o enfermeiro disse que havia uma fratura e que, provavelmente, o meu filho teria que engessar a perna", comentou. O médico negou que houvesse fratura e solicitou um exame de Raio-X do outro tornozelo para comparar os resultados. No final da consulta, o profissional receitou novos medicamentos.
O inchaço aumentou na terça-feira e se estendeu até o joelho. Novamente, os dois foram até a UPA. Conforme Valacir, a médica que fez o atendimento não pediu um novo exame de Raio-X e apenas reforçou que o paciente deveria continuar com o tratamento já indicado anteriormente. Uma tala foi colocada na perna lesionada.
Somente no último atendimento, feito na quarta-feira à noite, o médico da UPA constatou a gravidade da situação. "O doutor viu que era trombose causada pelo machucado porque tinha coagulado o sangue e encaminhou meu filho para a UTI do Hospital da Providência", explicou a mãe. O profissional chegou a levantar a hipótese de uma possível fratura. "Meu filho era muito bom. Ele veio como um anjo e nunca me deu trabalho. Ele não tinha problema de saúde", disse emocionada.
De acordo com a assessoria de imprensa do Hospital da Providência, os médicos não constataram fratura e o paciente morreu com trombose venosa profunda, infecção generalizada e broncopneumonia.
A Autarquia Municipal de Saúde, informou ontem, por meio de nota, que "ainda é cedo e até temerário dizer que houve erro médico ou negligência e que os prontuários da UPA e do Hospital da Providência serão avaliados". O prefeito Beto Preto determinou a abertura de uma sindicância para apurar o caso. Três médicos de carreira da Secretaria Municipal de Saúde foram designados para dar início aos trabalhos.
De acordo com o secretário de Saúde de Apucarana, Hélio Kissina, a sindicância deve ser concluída em até duas semanas. "Já vamos afastar hoje [segunda-feira] os quatro médicos envolvidos para que não haja interferência na apuração dos fatos. Serão avaliados os procedimentos feitos, a solicitação dos exames e os medicamentos receitados", destacou. Dos médicos afastados das atividades na UPA, dois são funcionários de carreira e os outros dois atuam por meio de contratos temporários. (Colaborou Marian Trigueiros)

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