Quatro horas de agonia no Santa Cândida
PUBLICAÇÃO
sábado, 01 de novembro de 2008
Carolina Gabardo Belo<br>Equipe da Folha 
Mãe de uma menina de 8 meses, uma adolescente de 17 anos foi mantida durante quatro horas refém pelo seu ex-namorado e pai do bebê, identificado como Maicon Alexandre Andrade, que tem entre 20 e 22 anos. O rapaz não aceitou o fim do relacionamento dos dois e tentava reatar o namoro com a jovem.
Por volta das 7 horas da manhã de ontem, a adolescente e a prima de 16 anos foram abordadas por Maicon perto do Colégio Estadual Santa Cândida, onde as hovens estudam. Inicialmente, Maicon chamou a ex-namorada para conversar, mas como ela se recusou a ir, alegando que tinha uma prova, ele ameaçou as duas com uma arma. A jovem se separou da prima, que foi à escola pedir ajuda, e seguiu com o ex-namorado a pé. Os dois foram seguidos por colegas de escola até um determinado ponto do trajeto que fizeram. "Foi tudo planejado", afirmou a prima da adolescente.
Foi do último local em que o casal foi visto pelos estudantes que a polícia iniciou a busca pela garota com a ajuda de um cão farejador. Os policiais acreditavam que os dois tivessem seguido pelo matagal próximo ao Cemitério Municipal do Santa Cândida, que fica perto da escola. Foram mobilizadas para a busca todas as subunidades da Polícia Militar (PM) -Batalhão de Choque, Rondas Ostensivas de Natureza Especial (Rone), Comando de Operações Especiais (COE) e Policiamento Reservado da PM (P2)-, agentes descaracterizados e ainda negociadores, que estavam preparados no caso de uma possível resistência.
As buscas com o cão farejador seguiram pelo cemitério, pela Rodovia da Uva e entre as residências do bairro Jardim Aliança. A mobilização chamou a atenção dos moradores e curiosos, que acompanharam a ação. A prima da adolescente e uma amiga também acompanharam a busca e davam orientações sobre a roupa usada pela jovem.
Durante todo o período em que esteve com o ex-namorado, a adolescente manteve-se tranquila e tentou acalmá-lo. "Ela foi muito inteligente no trato com ele. Ela conversou muito e não se opôs à situação, dando a entender que poderiam reatar o relacionamento", afirmou o major da Polícia Militar, Chehade Elias Geha, que se manifestou em nome da adolescente. Ela não quis falar com a imprensa e não autorizou imagens suas. "Ela lembrou muito do bebê, dizendo que a filha precisava dela", complementou a mãe da garota.
Depois que saíram de perto da escola, os dois seguiram pela Rodovia da Uva, cortaram caminho por um matagal e pegaram diversos ônibus, ao perceberem a grande movimentação de viaturas em busca da adolescente. O jovem deixou a ex-namorada no bairro Tarumã e fugiu. A adolescente pegou um ônibus para voltar para casa e foi localizada pelo major assim que ligou seu telefone celular. Ela foi encontrada pela polícia perto do terminal do Cabral.
A jovem estava bem fisicamente, mas abalada com a situação. "Ainda bem que ele não fez nada com ela. Espero que ele não apareça mais", disse a prima. O jovem chegou a fazer ameaças à adolescente durante as quatro horas de seqüestro. No final da tarde de ontem, a adolescente foi encaminhada à Delegacia da Mulher.


