Quatro anos depois, família cobra prisão de assassino
Exatamente quatro anos após o assassinato do funileiro Claudinei da Silva Souza, ocorrido no dia 1º de maio de 1995, no Parque Ouro Branco, zona sul de Londrina, o assassino confesso Joel da Silva Ribeiro continua em liberdade e leva vida normal. Isto está levando ao desespero a família da vítima, que não se conforma com a morosidade da Justiça. A gente só quer que esta pessoa pague pelo que fez, de um jeito ou de outro, apela a irmã da vítima, Cleide Aparecida de Souza, 27 anos, desempregada.
O processo contra Joel Ribeiro, de número 22/97, está parado no Fórum de Londrina aguardando ser incluído na pauta de julgamentos. Ribeiro foi pronunciado para ser submetido a julgamento no Tribunal de Júri - homicídio qualificado por motivo torpe (com pena que varia de 12 a 30 anos de reclusão) - no dia 10 de novembro de 1997, pelo então juiz da 1ª Vara Criminal e Tribunal do Júri, Jurandir do Reis Júnior.
Até chegar a este ponto, no entanto, Cleide teve que lutar muito. O inquérito policial levou quase dois anos para ser registrado no Fórum, o que contraria a legislação: o prazo para conclusão do inquérito é de 30 dias, para depois dar entrada no Fórum. Quando esse período é insuficiente, o Fórum tem que ser comunicado - inclusive para conhecimento do promotor -, e um novo prazo é solicitado.
Nada disso, porém, foi feito. Cleide só soube que o inquérito não tinha sido registrado porque foi ao Fórum saber como estava o andamento do caso e não encontrou nada. O inquérito só deu entrada na 1ª Vara Criminal no mesmo dia que a Folha publicou a denúncia, no dia 27 de janeiro de 1997. Disseram que ele estava extraviado em uma gaveta do 4º Distrito. Para mim, houve má vontade, diz Cleide.
Para ela, este atraso está novamente prejudicando a família. Meu advogado disse que este ano vão julgar só os casos de 95. E o do meu irmão, como fica? Ele foi morto em 95 mas, por causa de toda esta confusão, vamos ter que esperar ainda mais?, questiona.
Segundo Cleide, a demora está causando transtornos à família. Minha mãe está doente, com diabete séria. O Nei era o único que ajudava ela. Minha filha, que viu o tio ser assassinado quando tinha quatro anos, tem problemas até hoje. Meu sobrinho de nove anos fala todo dia, desde que o Nei morreu, que, se até ele crescer o assassino não for preso, vai matá-lo, desabafou.
Cleide afirmou que tudo que a família quer é que o caso seja julgado logo. A gente não está aguentando mais. Imagina o que é saber que seu irmão, um rapaz trabalhador, que não era de bagunça, está morto e encontrar o assassino andando solto por aí, gozando na sua cara? É isto o que tem acontecido com a gente.
Segundo o advogado Adolfo Góis, a família o contratou para acompanhar o caso somente na quinta-feira. Por isso, ainda está estudando o processo. Eu pedi ao cartório da 1ª Vara para fazer fotocópias capa por capa do processo e vou ter que analisar de forma minuciosa todos os autos envolvidos antes de poder fazer alguma coisa, disse. Além disso, o advogado garantiu que ontem mesmo pediria sua habilitação junto ao Ministério Público como assistente de acusação.
Góis, porém, se disse sensível às necessidades da família e não descarta a possibilidade de entrar logo com pedido junto à 1ª Vara Criminal para que a família seja beneficiada com a inclusão deste processo na pauta de julgamentos deste ano. Pois, somente neste caso, estaremos efetivando o princípio constitucional que prevê que o judiciário não poderá deixar de apreciar qualquer lesão ao direito, afirmou. Segundo ele, se a família for esperar o caminhar da burocracia do judiciário, o réu poderá se evadir da comarca, invalidando o processo.Paulo WolfgangInconformismoCleide de Souza, com a camisa que o irmão (no detalhe) usava quando foi assassinado: Assassino tem vida normalTelma Elorza





