Quatro menores fugiram do Centro Integrado de Atendimento ao Adolescente Infrator (Ciaadi) de Londrina na madrugada de segunda-feira. Eles conseguiram escapar serrando as grades de uma janela e até ontem à tarde nenhum deles havia sido recapturado.
Segundo a psicóloga e diretora interina do Ciaadi, Inês Faria de Carvalho, a unidade, que sempre viveu um clima de relativa tranquilidade, agora passa por momentos de tensão. O centro abriga também menores transferidos da Unidade Social de Internamento de Londrina (Usoil), conhecida como Educandário, interditado no final de novembro de 2004 para reformas.
De acordo com a diretora, dois dos adolescentes que fugiram estavam em fase de internação. ''Um estava no Ciaadi há mais de um ano e o outro, há seis meses'', contou a diretora. Os outros dois aguardavam sentença da Vara de Infância e Juventude e estavam no centro há menos de 40 dias. Segundo Inês, eles serraram as grades de uma das janelas que dava acesso ao pátio da Delegacia do Menor e dali seguiram para a rua dos fundos do Ciaadi.
Nas celas, os educadores encontraram bilhetes com ofensas aos funcionários do Ciaadi. ''Fizemos uma revista durante o Natal e encontramos várias serras com os menores, mas algumas devem ter sido escondidas. Estas, provavelmente, foram usadas na fuga'', teorizou Inês.
A promotora da Infância e Juventude, Edna Maria de Paula, acredita, no entanto, que as serras podem ter sido entregues aos menores pelas telas de proteção dos pátios do Ciaadi. ''De qualquer forma, vamos instaurar um procedimento judicial para apurar as circunstâncias da fuga, já que os menores também promoveram danos ao patrimônio público'', afirmou. A promotora disse que aguarda somente a conclusão dos laudos do Instituto de Criminalística sobre a fuga para dar início aos processos legais cabíveis.
A detenção de menores com passagens anteriores pela polícia é apontada pela diretora como uma das maiores causas para o clima de tensão. ''Estes adolescentes trouxeram de volta para a unidade uma antiga rivalidade entre gangues de bairros de Londrina. Como eles estão ficando mais tempo do que deveriam aqui dentro por não terem para onde ser transferidos, acabam ficando ainda mais nervosos'', explicou.
Para amenizar a tensão, Inês afirmou que a direção do Ciaadi tem promovido a separação das facções de menores por alas, o que acaba gerando superlotação da unidade, mesmo sem a ocupação plena do prédio. ''Às vezes, precisamos manter uma grande quantidade de adolescentes numa mesma ala por serem do mesmo grupo. Sobram vagas nas outras alas, mas elas não podem ser ocupadas por causa dessa divisão'', contou. O Ciaadi, que tem capacidade para 36 menores, hoje abriga 34. ''O Iasp (Instituto de Ação Social do Paraná) também tem colaborado, promovendo a transferência de menores sempre que possível. Em dezembro, remanejamos 10 deles. Mas isso só ocorre em casos excepcionais'', disse.

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