O Ribeirão Quati, que atravessa as zonas Oeste e Norte de Londrina, apresenta a pior qualidade de água entre cinco rios da Bacia do Lindóia na cidade. Esta é a conclusão do projeto ''Cuidando das Águas'', promovido pela Secretaria Municipal do Ambiente (Sema) em parceria com o Ministério Público. Os resultados foram apresentados ontem - Dia do Rio - em um evento promovido na Escola Estadual Padre Wistremundo Roberto Perez Garcia, no Jardim Ouro Verde (Zona Oeste), com a presença do secretário do meio ambiente, Dirceu Fumagalli, e da coordenadora do Núcleo de Recursos Hídricos da Sema, Márcia Arantes. O Insituto Ambiental do Paraná (IAP) deve receber o relatório na próxima semana.
O projeto ''Cuidando das Águas'' envolveu 700 adolescentes de 7 e 8 séries de nove escolas da rede estadual de ensino e começou em março, com a coleta de amostras de água de cinco ribeirões que integram a Bacia do Lindóia (Quati, Bom Retiro, Cabrinha, Ouro Verde e Lindóia), para análise. Os kits para testes foram cedidos pelo Pool de Combustíveis, depois do acerto de um Termo de Ajuste de Conduta (TAC) com a promotoria do Meio Ambiente, como parte das penalidades impostas à empresa após o desastre ecológico no Lindóia, em abril de 2002.
''Entre os cinco ribeirões analisados pelos alunos, o Quati foi o único que teve resultados fora do considerado aceitável pelo Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama)'', afirmou Márcia. Os demais rios, segundo a coordenadora, estão dentro das normas estabelecidas pelo Conama.
''O Ribeirão Ouro Verde apresentou os melhores indicadores. Em seguida, vieram o Cabrinha, com evolução crescente na qualidade da água, o Lindóia e o Bom Retiro'', listou Márcia. ''No Quati, as águas apresentaram alto índice de poluição industrial e de coliformes fecais, decorrente da descarga de esgoto. A quantidade de material orgânico encontrado no local é impressionante'', continuou.
Alunas da escola onde o relatório foi divulgado, Isabela Paulon e Tamires Pinheiro, ambas de 14 anos, confirmaram os problemas citados por Márcia. ''Visitamos os ribeirões e vimos que tudo está muito poluído'', disse Isabela. ''São poucos os locais onde a água está apenas razoável'', completou Tamires.
Apesar de não terem valor científico, as informações coletadas pelos alunos devem ser aproveitadas pela Sema como parte de estudos de dimensionamento do problema da poluição nos ribeirões de Londrina. Segundo o secretário do ambiente, os resultados serão aproveitados em campanhas educacionais junto à população. ''Vamos atrair a atenção do povo para os cuidados com as águas. Também vamos encaminhar o relatório para o IAP, responsável pela fiscalização nos locais'', explicou.
O chefe regional do insituto, Ney Paulo, preferiu não dizer se o relatório será utilizado para orientar o trabalho dos 30 fiscais antes de ver os resultados, mas confirmou as condições encontradas pelos estudantes no Ribeirão Quati. ''Realmente há muito despejo de dejetos industriais e de esgoto. Já encontramos até pneus e sofás neste fundo de vale. Acredito que o mais importante, neste momento, seja o trabalho de conscientização'', afirmou.

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