As 23 famílias que residem na Favela Quati, região norte de Londrina, acusadas de furto de energia elétrica, afirmam que procuraram diversas vezes a Companhia Paranaense de Energia (Copel) para regularizar as ligações clandestinas. Os moradores, que ocupam uma área particular há cerca de quatro anos, também afirmam que estiveram pessoalmente inúmeras vezes na Companhia de Habitação de Londrina (Cohab-LD) e estão dispostos a pagar pelos terrenos.
Segundo o digitador Edson Aparecido da Silva, morador da favela desde o início da ocupação, a Copel alega que não pode fazer as ligações regulares de energia porque a prefeitura não liberou o loteamento. A Cohab-LD, afirmou o digitador, não libera a comercialização dos lotes porque os proprietários não estariam querendo negociar. ‘‘Não nos informaram quem são os donos do terreno’’, disse Silva. Ele garantiu que os lotes ocupados não estão em fundo de vale.
Os moradores, disse o digitador, estão conscientes de que têm que pagar pelo terreno e energia elétrica. Ele comentou que na favela todos sabem que as ‘‘gambiarras’’ podem causar riscos à segurança, mas ‘‘por enquanto não aconteceu nenhum acidente’’. Segundo Silva, a Copel alegou que não é possível colocar poste coletivo provisório, mas ele contestou a posição da empresa. ‘‘Quero que me expliquem como eles (Copel) fazem ligações provisórias em parques e circos.’’
De acordo com Silva, o único serviço essencial disponível na favela é a coleta de lixo, que é feita regularmente. ‘‘Além da energia, não temos asfalto, água encanada e nem linha de ônibus coletivo.’’ Os Correios, informou o morador, também não trabalham no bairro. ‘‘Nossa correspondência é enviada para endereços de parentes e conhecidos.’’ Silva considera um ‘‘desrespeito à Constituição Federal’’ a falta de direitos básicos. ‘‘Cadê a lei que garante condições dignas de moradia’’, questionou.
A Cohab-LD informou que o terreno ocupado pelas 23 famílias da Favela Quati é particular e o município não pode intervir, a não ser como mediador. O proprietário do terreno, de cerca de 3 mil metros quadrados, Oscar Alberto Bordin, afirmou que a Justiça concedeu-lhe reintegração de posse da área. A retirada dos moradores, disse Bordin, depende da presença da polícia e de autorização do governador. ‘‘Fiz tudo o que estava a meu alcance. A solução agora está com o poder público que, de certa forma dá respaldo aos ocupantes’’, comentou. Segundo Bordin, o tempo corre a favor dos moradores do terreno, que já estão construindo e efetivando a ocupação.

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