De acordo com o presidente da Comissão de Direitos Humanos da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) no Paraná, Dálio Zippin Filho, aproximadamente 40% da população carcerária do Estado, de cerca de 5,3 mil, tem algum tipo de comprometimento com organizações criminosas como o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Primeiro Comando do Paraná (PCP). Alguns presos, segundo Zippin Filho, estão envolvidos como ‘‘generais’’, outros como soldados e um número maior como simpatizantes.
Ele afirmou também que a pressão chega até aos familiares de presos, que são coagidos a praticar delitos sob pena de terem seus parentes mortos dentro das cadeias. A lista com nomes de presos jurados de morte por membros do PCC e PCP encontrada na Penitenciária Central do Estado (PCE), em Piraquara, seria um exemplo.
‘‘Não podemos mais fingir que eles não existem’’, alertou o advogado. Mas lamentou que ‘‘fica difícil tomar alguma providência mais enérgica quando as autoridades competentes não acreditam na força desses grupos’’. Ele acrescentou ainda que as facções criminosas estão se unindo dentro dos presídios para se fortalecerem.
Acostumado com o assunto, Zippin Filho lembrou que pelos presídios paranaenses já passaram alguns dos principais líderes do PCC e que poderiam ter deixado células criminosas.
Como a Folha mostrou ontem, Zippin Filho reforçou que recebeu de uma alta fonte da Secretaria Estadual de Segurança Pública a informação de que ele, juízes da Vara de Execuções Penais de várias cidades e deputados ligados ao Partido dos Trabalhadores (PT) estariam na lista de sequestráveis desses elementos. Um preso foragido da Colônia Penal Agrícola de Curitiba teria até alugado três chácaras na Região Metropolitana para receber os reféns.
Na última semana, uma suposta ameaça de sequestro de juízes e promotores do Fórum de Londrina também fez as autoridades locais pedirem mais segurança para o prédio. Os sequestrados seriam usados como moeda de troca para o PCC exigir a libertação ou a transferências de seus líderes.
O secretário de Segurança Pública, José Tavares, disse que ‘‘não há nada de concreto’’. Mesmo assim, avisou que ‘‘determinou às duas polícias de Londrina que dêem às autoridades ameaçadas a proteção que elas merecem e que necessitam’’. Segundo ele, o setor de inteligência da Secretaria de Segurança sabe de ‘‘praticamente’’ tudo que acontece dentro dos presidíos. ‘‘No Paraná, os presos mais perigosos vinculados a essas organizações já foram removidos. Se tiver ligados ao PCC, são muito poucos.’’

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