Quase metade das chamadas ao 198 da PR são trotes
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 28 de novembro de 2007
Luciano Augusto<br> Reportagem Local 
Imagine você e sua família em viagem de férias pelas estradas do interior paranaense. Repentinamente, há um acidente e é preciso acionar a Polícia Rodoviária Militar pelo telefone de emergência, o 198. Ao fazer a chamada, entretanto, o número só dá ocupado porque naquele exato momento o policial está ''atendendo'' a um trote. Impossível disso acontecer? Não mesmo. Levantamento feito pela 2 Companhia da Polícia Rodoviária em Londrina mostrou que os trotes representaram 46% do total das chamadas recebidas no mês de outubro.
Ou seja, quem precisou do auxílio dos policiais rodoviários nos 3,1 mil quilômetros de rodovias do Norte e Norte Pioneiro, teve duas vezes mais dificuldades de ser atendido prontamente. Uma temeridade enorme quando se leva em consideração que a agilidade do atendimento pode evitar tragédias e salvar muitas vidas. ''Infelizmente não temos como mensurar a demanda reprimida, mas com certeza muita gente precisou e não foi atendida. A grande prejudicada pelo trote é a própria população'', lamentou o sargento Luiz Carlos Veríssimo.
O oficial informou que o levantamento dos trotes de outubro foi possível graças à instalação de um novo programa de identificação das chamadas feitas ao 198. Das 3127 ligações realizadas entre os dias 1º e 31, 1445 (ou 46% do total) foram classificadas como trotes. Os ''troteiros'', segundo a polícia, agem principalmente nos horários de intervalos, nas saídas das aulas e também nos finais de semana.
Por isso, fica fácil afirmar que quem mais passa trote são adolescentes e jovens, que aproveitam a ausência dos pais ou responsáveis para agir impunemente. Mas também há adultos que ligam para fazeralguma ''graça''. Londrina lidera a lista das cidades mas os trotes também são passados de praticamente todos os 79 municípios incluídos na área de abrangência da 2 Companhia. ''Ligam e ficam dando risada, xingam, pedem para tirar vaca da rodovia ou então não falam nada'', comentou Veríssimo.
Com o novo programa implantado pela polícia, a partir de agora será possível apurar quais os números mais usados para passar trotes e cobrar os responsáveis. ''Este programa vai levantar quais os números mais usados para trotes e os pais ou responsáveis serão alertados'', avisou o sargento. Escolas também deverão ser orientadas pela polícia sobre o uso correto dos telefones públicos próximos e sobre os problemas que podem ser provocados por causa dos trotes.
A 2 Companhia de Polícia Rodoviária lembrou que a prática do trote é crime previsto no Código Penal Brasileiro. Segundo o artigo 266, quem interrompe ou perturba serviço telefônico, ou impede ou dificulta seu restabelecimento pode ser punido com pena de detenção de um a três anos mais multa. O artigo 340 esclarece que fazer uma falsa comunicação de crime, provocando a ação da autoridade, tem pena de prisão de um a seis meses ou multa.


