A greve dos peritos do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) vai completar dois meses na semana que vem, ainda sem perspectivas de solução. Os mais prejudicados até agora são pessoas como o pedreiro Afonso Pereira, 61 anos, que está há cerca de seis meses sem trabalhar. Ele sofre de problemas na coluna e pressão alta e aguarda uma perícia médica para receber o pagamento do benefício.
Afonso só conseguiu uma consulta, com o único médico que está atendendo, através de um advogado. ''Eu já tinha feito uma consulta e o médico me liberou, mas não consigo trabalhar. Agora vou tentar outra consulta'', disse. Há vinte dias ele aguarda para ser atendido na agência Shangri-Lá (Centro) do INSS de Londrina, mas o caso dele não é único. Mais de 1900 processos estão parados nas três agências da cidade por falta de perícia.
Segundo a chefe da agência Shangri-La, Nilma Santos, aproximadamente 30 processos são iniciados todos os dias. ''A greve dos médicos é nacional mas os demais funcionários estão trabalhando normalmente nas agências. O trabalhador pode vir e dar entrada no processo'', explicou. Ela disse que é importante que as pessoas façam o pedido para garantir o recebimento do dinheiro. ''O trabalhador deve procurar um outro médico, assinar um termo de compromisso com o empregador na volta ao trabalho e trazer esses documentos ao INSS. Assim ele garante que receberá o dinheiro quando a greve acabar'', observou.
Um dos médicos que atendem pelo INSS em Londrina, Luiz Fernando Ninho Gimenez, garantiu que a principal reivindicação dos grevistas é a elaboração de um plano de carreira para a categoria e a realização de concurso público para a contratação de outros médicos. ''Existem muitos profissionais terceirizados que atendem pelo INSS. O problema é que eles recebem por cliente e o salário chega a R$ 18 mil por mês, enquanto que um médico do INSS recebe R$1.262,00 por mês'', justificou. ''Lamentamos muito pela situação dos segurados que estão sem receber, mas nós também estamos sem receber aumento há nove anos. Infelizmente a população é o elo fraco da sociedade e acaba sofrendo as consequências, mas não pretendemos voltar ao trabalho sem que atendam as exigências''.

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