Quase às moscas, os bingos sentem falta da velha mania
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sábado, 13 de junho de 1998
Anna Camanducaia 
Em três anos, o número de casas de bingo no Paraná diminuiu de 20 para 12 (oito em Curitiba). No Distrito Federal, as 12 que existiam, em 1993, hoje são apenas duas. São Paulo parece ser a única a manter um grande número de bingos - mais de 400, segundo o procurador-geral do Indesp (Instituto Nacional de Desenvolvimento do Desporto), Mário Coelho.
O Indesp foi designado, pela Lei Pelé (nº 2564), para regulamentar, credenciar e fiscalizar os bingos, mas está fazendo convênios para repassar a responsabilidade para os Estados. Isso estava previsto na lei, já que o Indesp não tem como fiscalizar todas as casas de bingo do Brasil, diz Coelho. No Paraná, o Serviço de Loterias do Estado do Paraná (Serlopar) já está cuidando dos bingos. O Indesp serviu para unificar a legislação, que antes variava de acordo com o Estado.
Depois da febre em 1994 e 1995, os bingos quase desapareceram com o projeto de lei do ex-ministro do Esporte Edson Arantes do Nascimento. O projeto revogava toda a Lei Zico, de 1993, mas não tratava dos bingos em nenhum momento, afirma Coelho. Quando foi para a Câmara é que o assunto recebeu um capítulo específico.
Albari RosaA aposentada Clélia Mehl chega a jogar 10 horas seguidas. Ela vai ao bingo todos os dias e diz que já perdeu as contas de quantas vezes ganhou. Quando não posso vir, sinto falta.Com a existência garantida pela Lei Pelé, alguns bingos ainda sobrevivem, mas sentem saudades do começo da mania. O Royal Palace Bingo chegou a receber 3 mil pessoas diariamente. Hoje, este número caiu para mil. Promoções, sorteios de carros e um café colonial - servido de segunda a sexta - servem para chamar clientes.
À tarde, o bingo é frequentado por uma maioria de mulheres e idosos. Os homens, geralmente acima de 35 anos, jogam à noite. A casa abre todos os dias às 15 horas e não tem horário para fechar.
Entre os que eventualmente se aventuram no jogo, existem os clientes mais que fiéis. O empresário Carlos Cordova, 40 anos, e a mulher Simone Folch, 34, jogam quatro vezes por semana. Eles chegam quando o bingo abre, às 15h, e saem às 17h, para buscar o filho Pedro, 3 anos, na escola. À noite, um cuida do filho e o outro volta para o bingo.
Os dois gastam em média R$ 300,00 por dia. Eu venho para me distrair, ela vem para ganhar - e ganha, diz Cordova. Segundo ele, em três anos de jogo, o casal faturou cerca de R$ 50 mil.
A aposentada Clélia Mehl, de 54 anos, diz que perdeu as contas de quantas vezes ganhou no bingo. O maior valor que recebeu em um dia foi R$ 4,5 mil.
Apesar de dizer que perder é bem mais fácil que ganhar, ela vai ao Royal Palace diariamente com as amigas ou mesmo sozinha. Chega a ficar 10 horas jogando. Quando não posso vir, sinto falta.
Clélia gasta no mínimo R$ 30,00 e no máximo R$ 200,00. Vou de acordo com a vontade.Nos últimos três anos, as casas de jogo diminuíram em
todo o Brasil. No Paraná, o número caiu de 20 para 12
Albari RosaO casal Carlos Cordova e Simone Folch joga quatro vezes por semana e gasta R$ 300,00 por dia. Os dois chegam quando o bingo abre, às 15h, e saem às 17h, para buscar o filho na escola. À noite, um cuida do filho e o outro volta para o bingo.
O Royal Palace Bingo,
por exemplo, recebia
3 mil pessoas por dia
Hoje, são apenas mil


