Quase três mil crianças de zero a seis anos de idade estão esperando uma vaga em uma das creches de Londrina. O levantamento sobre a demanda reprimida foi feito recentemente pelo Conselho Tutelar, que tem recebido várias queixas de mães sobre falta de vagas em creches. A entidade pretende marcar uma reunião com o prefeito Antonio Belinati para discutir o problema.
Em Londrina, segundo levantamento feito pelo Conselho Tutelar, existem 56 creches na zona urbana e duas na zona rural. O secretário do Conselho, Júlio Botelho, explica que o levantamento, feito em agosto e setembro, atingiu 52 creches da área urbana, que atendem 5.050 crianças. O Conselho verificou que nestes locais existe uma lista de espera de 2.296 crianças aguardando vagas.
Segundo Botelho, do total de creches, 12 são mantidas pelo poder público e 44 por entidades não governamentais. A falta de vagas atinge todas as regiões da cidade. Na zona norte, por exemplo, levantamento feito em 12 das 14 creches constatou a existência de 1.054 vagas e uma lista de espera de 449 crianças. A área central é a região com menor número de creches (seis), ofertando 638 vagas. No centro, são 421 crianças que aguardam vaga em lista.
Botelho observa que, como as crianças que ingressam na creche são atendidas até os seis anos de idade, muitas que estão na lista não vão ser atendidas. ‘‘Elas vão completar seis anos na fila, esperando uma vaga’’, ressalta. Ele informa que, por falta de vagas, muitas mães são obrigadas a deixar o emprego ou são impedidas de procurar serviço porque não têm com quem deixar a criança.
Este é o caso da dona de casa Marlene Francisco de Melo, que mora no conjunto José Giordano (zona norte). Ela diz que sempre trabalhou fora como cozinheira, mas atualmente não consegue porque não tem com quem deixar o filho Altamiro, de um ano e 10 meses. ‘‘Comecei a procurar uma creche desde que ele tinha oito meses e até hoje não consegui nada’’, lamenta.
Marlene conta que foi em três creches na zona norte e um na área central. ‘‘Em uma das creches já fui mais de 10 vezes. Sempre falam que está lotado’’, observa. Ela diz que pensou em contratar alguém para cuidar do filho enquanto trabalha, mas desistiu por ser inviável. ‘‘Ia ter que pagar de R$ 80,00 a R$ 100,00 para cuidar do menino e não ia compensar eu trabalhar fora’’, relata.
Além de ser um local seguro para deixar o filho enquanto trabalha, Marlene afirma que a creche é muito benéfico para a aprendizagem de Altamiro. ‘‘A minha filha Anastácia, que hoje está com oito anos, ficou anos em uma creche e lá aprendeu a escrever e a ler’’, constata. ‘‘A prefeitura deveria construir mais creches porque tem muita criança precisando’’, afirma.
Na tentativa de encontrar alguma solução para o caso, o Conselho Tutelar irá marcar uma reunião com o prefeito para mostrar o levantamento. ‘‘Vamos enviar o documento também para o Conselho MUnicipal dos Direitos da Criança’’, explica Botelho.
Além de buscar solução junto aos órgãos públicos, o secretário do Conselho diz que é preciso ainda verificar se as empresas da cidade estão oferecendo vagas em creches para as funcionárias, como é previsto em lei. ‘‘Queremos a aplicação da lei’’, ressalta.

mockup