''Tem beirando 40 famílias, o pessoal aí de cima faz uns seis meses que entrou'', observa Emerson Henrique Balbino Silva, referindo-se ao número de invasores na área da Cerâmica Bela Vista, entre os quais ele. Afirma que pagou R$ 300, um carro e uma TV pelos direitos. ''Vim de Campinas, morava numa favela cheia de valetas, há um ano e meio.'' Indagado como soube do lugar, respondeu haver sido informado pela mãe: ''Ela era daqui, agora está em Campinas.''
Na parte baixa da área, com os dois barracões servindo de moradia e depósito de lixo reciclável, aparentemente há pouco mais de uma dezena de habitantes. ''Algumas famílias estão aqui há mais de dez anos; este pessoal de cima é recente'', informa Teresinha Pucca.
Por volta do meio-dia, constata-se que na parte alta do terreno os barracos ficam vazos, porque a finalidade é apenas marcar os espaços. ''A maioria mora ao lado, tem casa'', afirma o prefeito Wilson Fernandes, denunciando também oportunistas que, de olho na eleição municipal, instigam os invasores a pedir infra-estrutura para o ''Jardim Bela Vista''. A prefeitura também seria ''invasora'' se fizesse obras no local ocupado ilegalmente, argumenta.
Segundo Balbino, os direitos sobre a casa onde morou Dionísio Striquer foram vendidos por R$ 5 mil. A viúva Francisca Rosa de Moraes conta que pagou R$ 4 mil ao ''possuidor dos direitos e obrigações sobre um terreno medindo 800m2 contendo duas casas de alvenaria com 40m2 na Rua Rio Grande do Sul, 409, na Vila Pavão''. Isto dentro da área da cerâmica. (W.S.)

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