Para a Secretaria de Assistência Social de Londrina, eles seriam apenas 12 indivíduos. Já para os pesquisadores contratados para fazer a contagem dos moradores de rua no município eles somariam mais de 100. No entanto, no primeiro dia do censo, iniciado ontem, nenhuma das teorias se comprovou: somente 20 pessoas que vivem nas ruas da cidade foram abordadas e só 14, efetivamente entrevistadas.
Conforme o levantamento prévio feito pelo pessoal contratado para planejar e executar a pesquisa, em Londrina existiriam entre 35 a 40 pontos de concentração da população de rua. No entanto, em diversos dos locais visitados na Área Central e Zona Leste, ninguém foi encontrado. Das 20 pessoas abordadas, só 14 foram entrevistadas porque os outros seis estavam ''alterados'' a tal ponto (devido a consumo de álcool e drogas) que não tiveram condições de responder o questionário.
''(O primeiro dia) Não foi muito bom. Mas a dificuldade neste tipo de trabalho sempre existe, por se tratar de pessoas que não têm parada fixa. Achamos pessoas, por exemplo, em locais que não constavam no nosso mapeamento'', comentou a coordenadora da pesquisa em Londrina, Araceli Rocha do Nascimento. Ela destacou também que Londrina é uma ''cidade trecheira'', ou seja, pessoas de outras cidades chegam, ficam alguns dias e vão embora.
A FOLHA acompanhou o trabalho dos pesquisadores e confirmou que não havia ninguém em vários pontos costumeiramente frequentado por moradores de rua. Na área central, por exemplo, os recenseadores percorreram o Zerão, o Calçadão, as praças Marechal Floriano Peixoto e Rocha Pombo, a Concha Acústica e o Bosque mas encontraram apenas dois homens. Por causa do baixo rendimento do trabalho, a pesquisa, que seria encerrada hoje, terá continuidade amanhã.
O censo abrange tanto pessoas de rua quanto aquelas que vivem nos asilos, albergues, abrigos e entidades governamentais e não-governamentais. Araceli estimou que cerca de 200 pessoas estejam ''asiladas'' em Londrina. Essa população foi incluída na pesquisa porque, caso deixe estes locais, corre o risco de voltar a viver nas ruas.
A contagem da população em situação de rua é uma iniciativa inédita do Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome (MDS) e está sendo realizada em 60 cidades de 22 estados. No Paraná, a contagem será feita também em Maringá e Curitiba. Os dados da pesquisa ainda não tem data para serem divulgados. Os custos por cidade não foram informados. Segundo a assessoria do MDS, o Governo Federal está investindo R$ 1,5 milhão no levantamento, contratado pela Unesco, que ficou sob a responsabilidade da empresa META Instituto de Pesquisas de Opinião. Em Londrina, a META terceirizou a operacionalização da pesquisa.

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