Quanto mais peludas, mais perigosas: é tempo das taturanas
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terça-feira, 11 de abril de 2006
Francismar Lemes<br>Reportagem Local 
A invasão das taturanas não é o título de um filme ''B'' na linha de outras invasões, como a das aranhas, dos ratos e bichos afins. Nos últimos dias, o aparecimento dos insetos no Conjunto Maria Celina (Zona Norte de Londrina) está deixando os moradores preocupados, já que podem causar queimaduras na pele.
Diariamente nos finais de tarde, os insetos começam a deixar as datas vazias do bairro, invadindo as casas. ''Outro dia, o meu menino estava deitado no tapete, quando uma taturana apareceu. Só deu tempo do meu marido tirar o garoto'', contou a dona-de-casa Cátia Regina Morais, 29 anos.
A vizinha de Cátia Regina, a também dona-de-casa Adriana de Camargo, 26 anos, ressaltou que as crianças menores acham o inseto bonito, podendo colocar a mão. ''À noite, com esse calor, eu não abro as janelas de casa. Tenho medo das taturanas. Chego a sonhar com elas'', afirmou Adriana.
Cátia Regina destacou que a filha de uma vizinha sofreu uma queimadura de taturana. Ela acredita que o matagal nas datas vazias seja responsável pela infestação.
A Unidade Básica de Saúde (UBSs) do Conjunto Chefe Newton (Zona Norte), que atende também aos moradores do Maria Celina já registrou caso de acidente com taturana.
A farmacêutica Conceição Turini, coordenadora do Centro de Controle de Intoxicações (CCI) do Hospital Univesitário de Londrina (HU), afirma que nessa época do ano é comum acidentes com o inseto. ''Atendemos mais casos envolvendo taturanas do que com outros animais'', destacou.
A coordenadora do Centro observou fotografias das taturanas coletadas por moradores do Maria Celina. Ela afirmou que a lagarta que infesta o conjunto não é das mais venenosas, como a Lonomia. ''Essa que está aparecendo no bairro é uma comum. Os pelinhos que recobrem o corpo das lagartas se rompem facilmente com qualquer contato, causando dor como se fosse queimadura. Às vezes podem provocar bolhas e inchaço e aumento de gânglios'', ressaltou a farmacêutica, acrescentando que, provavelmente, as taturanas que infestam o bairro sejam a conhecida por gatinho.
Conceição destaca que a taturana mais perigosa encontrada na região é a Lonomia que, além de queimaduras no local, pode levar a pessoa a óbito por hemorragias, inclusive de órgãos como rins, pulmões e até no cérebro.
Geralmente, as larvas são encontradas em árvores e folhagens. A coodenadora do CCI orienta que as pessoas usem sempre luvas ao lidar com plantas, evitando folhagens densas em casa. ''Em caso de acidente, a pessoa deve procurar o serviço de saúde e não tomar ou passar qualquer medicamento sem recomendação médica. Compressas de água quente ajudam a aliviar a dor. É importante lavar bem o local para desinfetar. Não aplique nenhuma substância em cima porque pode contaminar'', orientou.
Conceição alerta sobre a importância de diferencial das lagartas comuns da Lonomia, que tem uma coloração marrom-esverdeada, com listras longitudinais marrom-escuro e amarelo-ocre. A cabeça é amarela e espinhos ramificados, pontiagudos ewm forma de ''pinheirinho'' ao longo do dorso.
''Em caso de dúvida, o CCI atende 24 horas. O telefone é 3371-2244 ou 08007226001'', orientou Conceição.


