A folha de pagamento dos 3.963 vereadores distribuídos nos 399 municípios do Paraná representa algo em torno de R$ 50 milhões ao ano, R$ 4,1 milhões ao mês. Fora as regalias. Muitos não são obrigados a fazer sessões diárias e no final do mês ainda recebem verbas de assistência e ajudas de custo. Com a folha de pagamento anual dos vereadores seria possível comprar 9.708 casas populares de 44 metros quadrados, pelos valores da Companhia de Habitação do Paraná (Cohapar).
O total gasto com pagamento de vereadores é uma estimativa feita pela Folha tomando como base médias salariais fixadas depois de consultas a diversas câmaras, levando em conta o número de cadeiras de cada município. A União dos Vereadores do Paraná (Uvepar) não tem dados oficiais sobre os custos.
Os vereadores do maior colégio eleitoral - Curitiba, com 1.465.698 eleitores - fazem sessões diárias e detêm hoje os salários mais polpudos. São R$ 4,5 mil brutos ao mês que, se somados a outros R$ 2 mil, destinados ao assistencialismo social, podem beirar os R$ 7 mil. A Câmara Municipal do menor colégio eleitoral do Estado - Nova Aliança do Ivaí, que tem 1.256 eleitores - paga R$ 453,60 para cada um dos ocupantes das nove cadeiras. No Paraná, existem seis câmaras com 21 vereadores. Londrina, Foz do Iguaçu e Cascavel estão no grupo. O salário médio é de R$ 4 mil.
A média salarial das quatro câmaras com 17 vereadores fica na casa dos R$ 2,6 mil. Em Pinhais, por exemplo, o salário é de aproximadamente R$ 3,2 mil ao mês. Em Paranavaí, R$ 2,4 mil. E em Umuarama, R$ 1,5 mil. Mesma média se mantém nos legislativos que, pelo número de habitantes, constitucionalmente têm direito a 15 cadeiras. Os municípios de Colombo e de Araucária fazem parte do grupo. O salário dos vereadores está em R$ 3 mil em Colombo e aproximadamente em R$ 2,3 mil em Araucária.
Os vereadores de Francisco Beltrão e Campo Mourão - que tentaram aumentar os vencimentos com base na emenda 19 da reforma administrativa - também se enquadram nessa faixa, mas os salários vigentes são menores. Cerca de R$ 1,5 mil em ambos. A pressão popular levou os vereadores desses dois municípios a reverem os reajustes pretendidos em meados do ano passado. O mesmo aconteceu com o município de Realeza, no Sudoeste. De R$ 340,00 os vereadores planejavam passar a ganhar R$ 1,2 mil - 400% a mais.
Em Santo Antônio da Platina (25 quilômetros ao sul de Jacarezinho), também houve polêmica na questão salarial. Em fevereiro, os vereadores aprovaram o aumento dos próprios salários, além de reajuste para o prefeito e os secretários municipais. O aumento quase triplicava os salários dos vereadores - de R$ 914,00 para R$ 2,4 mil. A aprovação, por 7 votos a 4, gerou tanta polêmica na cidade que na mesma semana o prefeito Flávio Mayorki (PFL) vetou o projeto. Se vigorasse, o reajuste representaria um aumento de R$ 30 mil na folha de pagamento.
Das 399 câmaras municipais instaladas no Paraná, a maior parte - 311 ao todo - são pequenas, com nove vereadores. A média salarial fixada pela Folha foi de R$ 500,00, apesar de, nos contatos aleatórios, ter-se verificado, por exemplo, que no pequeno município de Porto Amazonas, os vereadores ganham em torno de R$ 800,00 ao mês. Em São Mateus, na região Sul, os salários são de R$ 1,78 mil. Em Tibagi, no Centro, há vereadores que recebem até R$ 1,5 mil por mês.
Em Fazenda Rio Grande (Região Metropolitana de Curitiba), onde as cadeiras sobem para 13, os salários também ficam em torno de R$ 1,5 mil ao mês. Enquanto que, em Goioerê (Noroeste) - município está na mesma categoria - pula para R$ 2,7 mil per capita. (Colaborou Luciane Tonon)

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