Quando voar é um esporte
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sábado, 07 de junho de 2008
Wilhan Santin<br>Reportagem Local 
Estamos no céu. O ultraleve modelo Coyote balança. A sensação é de estar solto no ar. Dá uma pontinha de medo, mas o visual compensa. De repente, o piloto Walter Estrá tem que fazer uma manobra para desviar de urubus. Esses bichos voam aos montes pelos céus da região entre Londrina e Ibiporã, por conta do aterro sanitário que existe por ali. É preciso perícia do piloto para não colidir com um deles. O que pode acontecer se houver a colisão? ''Não sei'' responde Estrá. Mas é melhor não experimentar.
Dali a pouco, o rio Tibagi - já estamos sobrevoando Jataizinho - aparece no visual e o medo dos urubus fica para trás. No retorno para Ibiporã, a visão é dos prédios do centro de Londrina. Mais um pouquinho de balanço e o pouso é tranquilo. É possível entender o porquê de atualmente 2,3 mil ultraleves, de acordo com dados da Associação Brasileira de Ultraleves (Abul), voarem pelos céus do Brasil. É um esporte de adrenalina.
A reportagem da FOLHA realizou o vôo esportivo durante as comemorações do aniversário do Clube de Aviação Experimental do Paraná (Caep), que tem sede em Ibiporã. Trata-se de um pessoal apaixonado pelos ares: ''voadores por paixão'' que há 18 anos decidiram fundar o clube e construir uma sede para guardar as máquinas e ter uma pista para pousos e decolagens. A idéia vingou, e o clube, entre sócios e usuários, conta hoje com 30 membros.
Para a festa realizada ontem, eles receberam colegas pilotos esportivos de diversas cidades do interior do Paraná e de São Paulo. Os convidados, é claro, vieram voando. O engenheiro civil Daniel Polaquine enfrentou as 2h30 de vôo que separam as cidades de Jaboticabal (SP) de Ibiporã. O co-piloto na empreitada foi o pequeno Cauê, de 11 anos, filho de Polaquine. O ultraleve da dupla é um Religate, um modelo clássico próprio para acrobacias. Custa R$ 140 mil. Segundo o engenheiro, é só um esporte, mas vale o investimento. Cauê concorda, abrindo um sorrisão e dizendo apenas ''ô'' quando o repórter pergunta se ele curte as aventuras na companhia do pai.
Os ultraleves de hoje em dia evoluíram. Já não são mais apenas cadeirinhas acopladas às asas. Os modelos avançados podem voar a 200 km/h. Quem comanda é classificado como piloto desportivo, desportivo avançado ou recreativo. Para conseguir a licença para voar, é preciso frequentar um curso teórico e prático em uma escola homologada pela Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) - é o caso do Caep - e passar por um exame médico. Depois, é só ter dinheiro para investir em uma aeronave - os preços vão de R$ 20 mil a R$ 230 mil - e fazer parte de um clube, de acordo com informações do instrutor de vôo Marco Gomes.
''O que fazemos é por esporte. Não é nada profissional. No nosso caso, voar é como se fosse um vício'', define Lauro Suzuki, presidente do Caep.
Para um vôo esportivo, é só respeitar algumas regras de segurança. Para vôos mais longos, como o de Daniel Polaquine, é preciso proceder como os aviões comerciais, realizando plano de vôo e seguindo orientações da Anac.


