O clima de incerteza na Penitenciária Estadual de Londrina (PEL), apesar dos esforços da diretoria, chega até os presos. ''Sou mestre de cozinha e é comum faltar alguma coisa. A segurança até troca alimentos em outros lugares, por exemplo, feijão por café'', diz Lucivaldo Miranda da Silva, 33 anos, detento da PEL. Há três anos no presídio, ele afirma que a situação no local se tornou problemática nos últimos meses. ''Começou a faltar muita coisa há uns dois meses, mas nos disseram há alguns dias que (a situação) ia melhorar. Há algumas semanas faltou café, açúcar, óleo. Nos falaram que é porque o pagamento não está em dia. Também faltam coisas de higiene, como papel higiênico e sabão'', afirma ele.
O preso Roberto Martins dos Reis, 41 anos, concorda com Lucivaldo. ''É comum às vezes faltar uma mistura (na comida). Quando vem (o alimento), é regrado'', diz o detento. A diretoria espera que, com o fim do período de moratória, a situação melhore. O próprio Kitanishi afirma que enxerga como um ''bom sinal'' a iniciativa do governo de pagar aos fornecedores o mês de fevereiro. ''Estamos com esperança'', diz o diretor.
A questão que fica é: um presídio que enfrenta dificuldades financeiras tem condições reais de continuar desempenhando sua função, que é a de recuperar o detento? Lucivaldo acha que não. ''Quando começa a faltar coisas, fica difícil o preso melhorar. Por exemplo, se na cozinha eu fizer um alimento bom, o pessoal vai gostar. Se eu não conseguir, por causa da falta de comida, eles vão achar ruim. Isso cria uma revolta em todo mundo'', argumenta. O preso Nivaldo, 32 anos, tem raciocínio semelhante. ''Na minha opinião, pra se regenerar o preso é que tem que querer'', diz ele. Em certos casos, haja vontade.

mockup