Ela sobreviveu a um tumor que tomava conta de 25% da caixa craniana, abriu mão da carreira de dentista para assumir a empresa da família e emagreceu 28 quilos. Embora tenha um histórico de mudanças frequentes, Evelise Bianco afirma que nunca as planeja, mas as encara com naturalidade. ''Eu não gosto sequer de mudar objetos ou móveis de lugar, porém, vivencio os fatos inesperados que surgem, pois sei que quando uma porta se fecha, outra se abre'', afirma.
Prova disso foi a naturalidade com que recebeu o diagnóstico de um meningioma no cerebelo há nove anos. ''Em 10 dias agendei a cirurgia para a retirada do tumor do tamanho de uma laranja baiana. Era grande o risco de morte ou sequelas. Consciente disso, tomei decisões práticas visando diminuir o sofrimento da minha família'', conta.
Evelise pagou dívidas antecipadamente, doou sapatos e roupas e escreveu cartas de despedida para familiares e amigos. ''Eu sempre trabalhei a espiritualidade e a morte não me assusta.''
No ano seguinte à operação, Evelise enfrentou um novo desafio. Depois de 19 anos atuando como dentista, com a morte do pai em 2002 ela assumiu a administração da editora fundada por ele. ''Para mim foi um processo natural. Enfrentaria qualquer trabalho que me proporcionasse independência financeira'', argumenta.
Em 2003, chegou a hora da mudança estética. ''A junta médica que me operou do tumor no cerebelo, suspeitou que o problema surgiu devido a alterações hormonais. Então me recomendaram a cirurgia bariátrica (redução de estômago) para diminuir meu nível de obesidade e evitar a formação de novos tumores'', lembra.
O resultado da intervenção cirúrgica foi a perda de 28 quilos. No entanto, o emagrecimento desejado por muitas mulheres não a agradou de início. ''Eu estava acostumada a entrar e sair dos lugares sem ser observada e gostava de parecer invisível. No começo não gostei da experiência de ser notada pelas pessoas'', conta aos risos.
Já acostumada com o novo corpo, Evelise vivenciou mais um fato novo e dolorido, a morte da mãe, em 2006. ''Eu saí de casa com 17 anos para cursar Odontologia em Ponta Grossa. Morei sozinha e aos 28 anos decidi voltar a morar com meus pais pois nossa relação sempre foi muito boa e intensa. Eu era muito risonha, mas quando os perdi descobri as lágrimas. Tive de aprender a viver sem eles.''
Prestes a completar 50 anos, Evelise resolveu se abrir para novos horizontes. ''Estou fazendo curso de acupuntura. Quero usar meu tempo livre para ajudar as pessoas e me sentir útil, pois para mim esse é o significado de ter uma boa vida'', finaliza, ressaltando que esta é uma das poucas mudanças que foram programadas na sua vida. (M.R.)

mockup