Quando um novo idioma entra na rotina
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terça-feira, 28 de junho de 2011
Michelle Aligleri <br> Reportagem Local 
Aprender uma nova língua é uma das exigências do mercado de trabalho. Para desempenhar determinadas funções esta é uma habilidade primordial e buscada por muitos profissionais. Apesar disso, aulas de idiomas deixaram de ser coisa de adulto há muito tempo e estão cada vez mais inseridas no universo infantil.
Algumas escolas ensinam dois idiomas simultaneamente aos alunos mesmo nas séries iniciais. Há ainda aquelas crianças com alguma pessoa da família que não fala português e acabam aprendendo a se comunicar em outra língua. De acordo com a psicopedagoga Raquel Faconti, de Londrina, o contato precoce com outros idiomas não é prejudicial à criança. ''Não há dados significativos na literatura técnica que fale que o bilinguismo pode prejudicar a criança'', disse. Ela afirmou que este tipo de atividade não atrapalha o aprendizado nem o entendimento da língua nativa.
Raquel disse que quanto mais cedo ocorrer este contato com diferentes línguas, melhor. ''O sistema nervoso se desenvolve de forma muito pujante até cerca de sete ou oito anos; neste período a criança tem uma capacidade muito grande de aprender coisas diferentes. A fase pode ser aproveitada pelos pais para iniciar uma nova língua'', explicou.
A psicopedagoga destaca que quanto mais cedo ocorrer o contato da criança com outras línguas antes desta idade, mais ela vai registrar a nuance sonora e a estrutura das palavras estrangeiras. ''Quando voltar a estudar este idioma no futuro certamente esta pessoa terá mais facilidade'', acrescentou. Por outro lado, a psicopedagoga disse que as crianças que tiveram dificuldade no aprendizado da língua mãe possuem mais chances de enfrentar problemas semelhantes na aquisição do segundo idioma.
Forma lúdica
A especialista afirmou que os benefícios da segunda língua só são válidos se a atividade for encarada de forma lúdica. ''Os pais devem lembrar que tudo que sobrecarrega a criança gera um ônus intelectual e físico. É preciso ver se a aula é encarada pela criança como prazer ou se a situação se torna estressante por conta das muitas atividades'', disse. Ela lembrou que algumas famílias depositam expectativas muito grandes e cobram resultados dos filhos independente da idade, para a psicopedagoga este comportamento é inadequado.
Antes de fazer a matrícula em uma escola, Raquel orienta que os pais busquem informações sobre os programas pedagógicos oferecidos para que estejam de acordo com a capacidade de entendimento e a faixa etária da criança. Ela destacou que não existe idade ideal para iniciar o aprendizado de uma nova língua em uma escola especializada, isso depende dos programas oferecidos pela instituição e do anseio dos pais.


