Quando tudo era preto e branco
Quando as carroças não provocavam a ira dos motoristas, quando a safra de café era discutida em cada esquina, quando as crianças da fazenda aguardavam com ansiedade o sábado para redescobrir doces de abóbora em forma de coração, quando a Rádio Londrina ecoava de porta em porta no comércio, quando sacos plásticos protegiam sapatos novos do barro vermelho, quando o fumo de corda era picado em cada banco de praça, quando os homens tiravam o chapéu em frente à catedral, quando o balconista do bar servia água do filtro por gentileza, quando a Catita não era peça de museu, quando o barulho do trem alertava sobre as horas dos compromissos, quando havia cumprimento para desconhecido... Quando acontecia tudo isso, o mundo era preto e branco e as pessoas viviam a cidade até mesmo durante a intimidade de uma foto 3x4.
(Lúcio Flávio Moura)





