Quando toco, me sinto viva
A costureira aposentada Maria Augusta Bringel Viana, de 68 anos, é uma das idosas que aproveitou o tempo livre para aprender sobre educação musical com o gerontólogo Marcelo Caires, em palestra recente no Sesc.
Maria Augusta explica que desde pequena, quando ainda morava em Porecatu (Norte), já era apaixonada por música. Aos 11 anos, a costureira aposentada e hoje musicista já escrevia suas primeiras poesias na escola.''Eu adorava escrever os versos com todas as rimas que eu mesma criava. Às vezes, a professora até deixava algumas rimas prontas no quadro para os alunos, mas eu fazia questão de eu mesma criar as minhas'', conta.''Ela ficava surpresa com o que eu fazia.''
Com o passar dos anos e com a vida sofrida que levava, devido à morte de seus pais e um casamento arranjado por sua tia com um homem bem mais velho e ciumento, que a impedia de compor músicas e tocar o violão, Maria Augusta acabou se afastando da música e se dedicando exclusivamente à costura. ''Foram anos sem que eu pudesse fazer o que tanto amava'', revela, detalhando que, apesar de não poder tocar o instrumento que tanto amava, continuava escrevendo os versos.
Após a morte do marido e com os filhos já crescidos, a costureira aposentada conta que decidiu se dedicar exclusivamente à música. Hoje, aos 68 anos, compondo letras de músicas e tocando violão, Maria Augusta diz que não pretende parar tão cedo com a música. ''Estou muito animada para aprender a tocar teclado. Quanto ao futuro, eu ainda não sei. Só sei que não quero parar de aprender coisas novas. Quando toco, me sinto viva'', finaliza.(F.C)





