A recicladora Maria Aparecida do Prado, 48 anos, é responsável por alimentar 14 filhos, sete deles adotivos. Com uma renda mensal de R$ 450, ''quando faz sol'', ela gasta metade do salário no pagamento da prestação de um barraco no Morro do Carrapato (Zona Leste) e dedica parte de um dia de trabalho para cozinhar para os vizinhos, todas as quartas-feiras. Os alimentos, o fogão, o gás e os utensílios de cozinha são doados pelo projeto Galera de Deus.
''Se meus filhos comem, outras crianças também têm que comer'', justificou Maria Aparecida, que é capaz de passar o dia trabalhando só com um café preto no estômago.
Nascida em Bela Vista do Paraíso (Norte), ela foi abandonada no hospital ainda bebê e foi criada em Londrina por uma família adotiva. ''Trabalhei em vários lugares, em restaurante, como diarista'', conta a recicladora, que faz festa quando compra ovo ou linguiça para complementar o arroz e feijão de todo dia.
''Não reclamo não. A gente come quando tem, e quando não tem a gente se entretém com outra coisa'', declara Maria Aparecida, que já revirou lixo em busca de comida para os filhos. ''Se precisar, faria de novo.''
E o sopão das quartas-feiras, preparado com a ajuda das vizinhas e esperado por todos os moradores da região, é o que coloca um sorriso no rosto cansado da recicladora: ''Quando tem comida, a gente reparte, ainda que sejam só dois caldeirões de sopa, que acabam rapidinho''. (M.G.)

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