Curitiba - ''Mãe, preciso falar uma coisa pra você.'' Foi assim que, há três anos, o filho de Raquel Gomes, 53 anos, a chamou para conversar. O adolescente foi direto ao assunto. ''Sou gay.'' A partir da revelação de Marcus Gasparini, na época com 16 anos, a vida de Raquel mudou completamente.
A primeira reação de Raquel foi abraçar o filho e assegurá-lo de que o amava de qualquer jeito, mas, assim como a maioria das mães que recebe a notícia de que o filho é homossexual, ela passou por várias fases até aceitar a orientação sexual. ''Eu me choquei, chorei muito, a gente se assusta'', lembra. ''Primeiro, a gente acha que não é verdade, aí manda o filho para um psicólogo. Depois vem a vergonha e a culpa'', conta a mãe, que nunca havia percebido algum fator que a fizesse desconfiar da homossexualidade de Marcus.
Passado o susto inicial da notícia, Raquel começou a fazer pesquisas sobre o assunto. Em uma delas, conheceu o Grupo de Pais de Homossexuais (GPH), que reúne pessoas de todo o Brasil para a troca de experiências. ''Queria falar com outras mães, mas não encontrava e também tinha vergonha. Ajudou muito'', lembra. O período de ''recuperação'' foi rápido e logo ela decidiu acompanhar o filho em sua nova vida.
Foi aí que Raquel virou uma verdadeira baladeira. ''Ele queria sair, já tinha um namorado e eu fui ver. Lá eles podem ser o que são'', diz. Além de acompanhar o filho nas saídas noturnas e até mesmo frequentar as festas quando ele não pode ir, Raquel virou a produtora do filho, que anima eventos para o público gay como DJ.
Ajuda mútua
A descoberta ou a desconfiança de que um filho é homossexual nem sempre são encaradas tranquilamente pelos pais. Muitos se culpam, se sentem responsáveis pela orientação sexual do filho, se perguntam onde erraram ou então não querem aceitar o fato.
Para evitar que a expressão ''quando o filho sai do armário, a mãe entra'' - muito comum entre o público - se concretize, o Grupo de Pais de Homossexuais (GPH), que hoje reúne aproximadamente 200 mães e pais de homossexuais de todo o Brasil, discute as experiências de aceitação e dificuldades das famílias em encontros presenciais e virtuais. ''Ninguém é educado para ter um filho homossexual'', afirma a mãe facilitadora do GPH em Curitiba, Marise Felix.
O GPH foi fundado há 11 anos, em São Paulo. Na capital paranaense conta com a participação de oito participantes, com predominância das mães nos encontros. ''É um grupo de ajuda mútua, quando conversa ameniza, há crescimento. A gente discute, reflete e sempre há crescimento. Depois que entramos, nos tornamos pessoas melhores, a gente revê os conceitos'', explica Marise. As conversas são sigilosas, exclusivas a pais e mães e partem do pressuposto de que cada um tem seu tempo. (C.G.B.)
Serviço:
Grupo de Pais de Homossexuais (GPH)
www.gph.org.br; fones (41) 307903902 - Marise Felix; (11) 3031-2106 - Edith Modesto

mockup