Quando os ônibus 'roncavam' no Bosque
Alexandre Sanches
Moço, o senhor sabe onde eu posso pegar o ônibus Europa/Alvorada?
O senhor vai para o Jardim Europa ou para o Parque Alvorada?
Para o Jardim Europa.
Então, pegue o ônibus na rua tal e ...
O diálogo era comum até a primeira metade dos anos 80, quando o terminal urbano funcionava no atual Zerinho do Bosque. A cidade ainda comportava linhas de ônibus a responsável era a Viação Urbana Londrinense (VUL), atual Transportes Coletivos Grande Londrina que atravessavam a cidade a cada 15 ou 20 minutos, atendendo bairros distintos, como o Aeroporto-Ney Braga, que ia do aeroporto (zona leste) ao Parque de Exposições Ney Braga (zona oeste); o Skol-Santa Rita, que percorria as ruas do Jardim Santa Rita (zona oeste) e da Cervejaria (zona leste) onde funcionava a antiga fábrica da Skol; o Bandeirantes-Ideal, ligando o Jardim Bandeirantes (zona oeste) ao Jardim Ideal (zona leste).
As únicas regiões atendidas com linhas exclusivas eram a zona norte (Cinco Conjuntos), a zona sul (Três Marcos) e a Universidade (zona sul). A linha Três Marcos, por sinal, era referência naquela região. Mas aos poucos foi perdendo espaço para o Parque Ouro Branco, que cresceu e englobou aquele bairro.
A parada de ônibus no Bosque, com quatro plataformas, era suficiente para acomodar os veículos somente quando foi necessária reformas é que os ônibus passaram a parar ao lado da Catedral. Mas era muito gostoso pegar os ônibus na área central, contrariando muitos moradores que reclamavam do barulho dos coletivos pelas principais vias. Isso sem contar que o constante movimento dos ônibus estragava o asfalto, que era fino para tamanho peso.
As crianças que aguardavam inquietas o coletivo para seus bairros ficavam calmas quando os pais gastavam alguns minutos levando-as para o viveiro, no Bosque, onde pombos, macacos, jabotis, jacarés e até uma anta estavam presos. O minizôo (micro, por assim dizer), em meio à mata nativa existente no local, tornava a espera mais aprazível. Se as crianças se enchiam das estripulias dos macacos, iam brincar no parquinho, do outro lado do Bosque.
A cidade foi crescendo, o número de bairros aumentando e a exigência de mais linhas de ônibus também. Foi aí que surgiu a idéia de construir um terminal central inteligando os bairros. A diferença é que, com uma única passagem, o usuário pode percorrer de um ponto a outro da cidade, sem a necessidade de seguir no mesmo ônibus. Londrina começa a sentir o efeito.
Atualmente, há vários terminais espalhados pela cidade seguindo o exemplo de algumas capitais o que, em tese, tem ajudado bastante esta interligação de várias linhas de transporte coletivo. Mas o londrinense também gosta de sair de carro. E isso congestiona, a cada dia que passa, o nosso caótico trânsito, principalmente nos horários de pico e dias de chuva.
Londrina cresceu, aumentou consideravelmente a sua população e, consequentemente, seus problemas também acompanharam. Para os seus 65 anos, Londrina é considerada um grande centro, uma metrópole. E as mudanças estão ocorrendo tão rapidamente que a gente, muitas vezes, nem se lembra direito como era a cidade.





